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Reúso de Água  

Introdução

A água para consumo humano precisa de ser potável; no entanto, para outros fins, a água pode ter uma qualidade inferior. As águas residuais domésticas tratadas podem, muitas vezes, oferecer uma alternativa viável se a água for utilizada para fins como:

  • Irrigação agrícola;
  • Irrigação de jardins;
  • Irrigação paisagística (viveiros de plantas, parques, residências, espaços verdes urbanos, etc.);
  • Usos estéticos (pequenos lagos e fontes); e
  • Usos industriais (torres de arrefecimento, águas de processo e controlo de poeiras).

O conceito de reutilização da água implica a recuperação, tratamento (quando necessário) e a reutilização de água que já foi usada. A reutilização de água pode ser aplicada a vários níveis desde o doméstico ao industrial. O grau em que as águas residuais precisam de tratamento depende tanto da qualidade da água usada como do fim a que se destina a sua reutilização.

As Cores das Águas Residuais

Os esgotos de muitas cidades servem para fazer a recolha de uma mistura de diferentes tipos de águas residuais como, por exemplo, águas de escoamento superficial das ruas ou águas residuais das habitações. As próprias águas residuais domésticas são constituídas por uma mistura de diferentes efluentes que são, muitas vezes, descritos nos seguintes termos:

  • Água cinzenta– água doméstica, especialmente de duches, lava-louças, máquinas de lavar, etc. Sem fezes nem urina;
  • Água preta– uma mistura de fezes e urina humanas de casas de banho com ou sem autoclismos;
  • Água amarela– urina unicamente ou misturada com água de autoclismos; e
  • Água castanha– água preta sem urina.

Nas zonas urbanas dotadas de redes públicas de esgotos e com estações de tratamento de águas residuais, podem recuperar-se grandes volumes de águas residuais tratadas. Na bacia, no entanto, não há volumes significativos de águas residuais tratadas que pudessem ser reutilizadas. Com excepção das redes limitadas de esgotos no Huambo e Lubango, que apenas servem partes de ambas as cidades e não estão ligadas a qualquer estação de tratamento, quase todos os agregados familiares na bacia utilizam equipamentos locais para a recolha e eliminação de águas cinzentas e pretas (lamas fecais e urina).

Como as águas residuais na bacia ocorrem ao nível doméstico, a sua reutilização é, geralmente feita dentro das habitações, nos jardins ou para dar aos animais. A recuperação e utilização de águas residuais em casa poderia permitir a poupança de água potável. Significaria isto que a água dos banhos e das lavagens seria recolhida e utilizada para outros fins como, por exemplo, para regar legumes ou árvores. As águas residuais sem sabão poderiam ser dadas a galinhas. Se não houver muita gordura ou sabão na água, pode ser adequada para regar plantas. Se a água tiver muito sabão ou gordura, pode utilizar-se um meio simples de tratamento e torná-la adequada para rega – por exemplo, usando leitos de palha simples ou filtros de gordura como parte de um sistema simples de tratamento e reutilização. A reutilização da água pode ser combinada com a Recolha de Água para se conseguir o aproveitamento mais eficiente dos recursos hídricos em zonas áridas.

A água cinzenta das habitações pode ser tratada usando um simples filtro de gorduras (na parte da frente da fotografia) antes da água se escoar para o jardim (no fundo da fotografia).
Fonte: SANDEC 2006
( clique para ampliar )

Planeamento das Abordagens às Opções de Reutilização

As opções possíveis de reutilização dependem muito da demanda de água e dos requisitos de qualidade. Há duas abordagens de planeamento: “bottom up” e “top down”:

  • A abordagem “bottom up” começa por definir as opções pretendidas de reutilização e, em seguida, quais as tecnologias de tratamento necessárias, permitindo, assim, que haja um planeamento estrutural das futuras infra-estruturas dentro do contexto mais alargado de um plano director da gestão das águas residuais. Se for viável economicamente, esta abordagem oferece a maior flexibilidade das opções de reutilização aplicadas à medida das condições locais específicas, integrando os futuros utilizadores finais no processo de planeamento.
  • A abordagem “top down” considera como ponto de partida a quantidade disponível de águas residuais tratadas e define as opções possíveis de reutilização nessa base, sendo assim uma abordagem pragmática que considera as infra-estruturas de saneamento existentes. No entanto, esta abordagem limita consideravelmente as opções possíveis de reutilização.

Uma abordagem ao planeamento, desenvolvida pelo Concelho Consultivo de Abastecimento de Água e Saneamento (Water Supply and Sanitation Collaborative Council) (WSSCC) para promover um sistema circular de gestão de recursos é a abordagem ao Saneamento Ecológico Centrado no Nível Doméstico (Household Centred Environmental Sanitation) (HCES).

Abordagem ao Saneamento Ecológico Centrado no Nível Doméstico

O HCES é uma abordagem multissectorial envolvendo múltiplos actores e destinado a prestar serviços ecológicos urbanos integrados. Destina-se a ser uma resposta às necessidades e prioridades das populações pois é a este nível que são tomadas as decisões sobre os investimentos (ou a sua utilização) e que começam as mudanças de comportamento. O seu ponto forte reside em oferecer a possibilidade de conceder benefícios económicos e não económicos dentro de um pacote de serviços integrados, a um preço aceitável e sustentável para satisfação das prioridades dos utilizadores. As duas componentes fulcrais do HCES são:

  1. O ponto central do planeamento do saneamento ecológico deve ser o agregado familiar, invertendo-se a ordem habitual do planeamento centralizado “top down”. O utilizador dos serviços deve ter primazia na decisão e as questões de saneamento devem ser tratadas tão perto quanto possível do local onde ocorrem. Sendo a família um actor chave, as mulheres têm uma voz importante no processo de planeamento e o papel do governo muda de fornecedor para dinamizador;
  2. Deve utilizar-se um sistema circular de gestão de recursos, salientando-se a conservação, reciclagem e reutilização de recursos em contraste com o serviço linear de saneamento actualmente usado.

Um desafio especial é o de que é necessário ter a colaboração e fazer a coordenação do trabalho de múltiplas agências que poderão ter capacidades diferentes e pouca vontade de trabalharem em conjunto. Portanto, o HCES só deve ser considerado quando houver um forte empenhamento político no esforço sustentado que é essencial para o sucesso. O HCES tenta evitar os problemas resultantes das abordagens “bottom up” e “top down”, utilizando ambas dentro de um quadro integrado. A abordagem ao HCES tenta combinar os benefícios e reduzir os aspectos negativos de ambas as abordagens, concentrando-se no planeamento da demanda das famílias e incluindo todos os actores no processo, desde o planeamento até à execução.

Fonte: Eawag – Instituto Federal Suíço das Ciência e Tecnologia Aquáticas – 2005

Aspectos Legais

A Organização Mundial de Saúde publicou as “Guidelines for the Safe Use of Wastewater, Excreta and Grey Water in Agriculture and Aquaculture” (Orientações para a Segurança no Uso de Águas Residuais, Excrementos e Água Cinzenta em Agricultura e Aquicultura) em 2006. Estas orientaçãos apresentam abordagens sistemáticas, tecnologias e métodos eficientes de tratamento para a reutilização de águas residuais, excrementos e água cinzenta a diferentes níveis – do doméstico até ao municipal. As orientações contêm apenas recomendações e não têm estatuto jurídico em nenhuma jurisdição. Os governos podem utilizá-las como base para as normas nacionais, dando às autoridades flexibilidade para estabelecimento de metas de acordo com o que é realista no contexto sócio-económico nacional.

 

 



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