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Uso da Água na Agricultura  

A agricultura irrigada é a principal consumidora de água em Angola (60 % do consumo total) e na Namíbia (40 %).

Os dois principais factores que afectam o futuro da utilização e da demanda da água são o consumo humano e a irrigação. A demanda de água para irrigação será influenciada por:

  • Progressos na eficiência de água;
  • Legislação nacional sobre o estabelecimento de preços e direitos da água; e
  • Forças do mercado resultantes de uma maior integração económica entre países da SADC.

Angola

Em 2004, a agricultura era a principal actividade económica de 72 % da população angolana. A agricultura é também a principal consumidora de água. Em 2005, dos 2 851 milhões de m³ de água consumida, 90% foi utilizada na agricultura irrigada e 3 % no abeberamento de animais.

Irrigação em pequena escala na bacia do Médio Kunene.
Fonte: AHT GROUP AG 2009
( clique para ampliar )

Dados recentes sobre a irrigação em Angola estimam que há, actualmente, irrigação total ou parcial de cerca de 340 000 hectares e que a área irrigada da bacia do rio Kunene era de cerca de cerca de 42 000 ha (representando 12.3 % da área irrigada total em Angola) (SWECO Grøner 2005). Segundo as estimativas da FAO para 2005, a área potencial irrigável total é de cerca de 3,7 milhões de ha. Antes da independência, a área total com irrigação estava estimada em 400 000 ha (11 % da área potencial). A reabilitação e extensão das áreas irrigadas passaram a ser actividades prioritárias para a reconstrução do país e para garantir a segurança alimentar.

A bacia do rio Kunene é a única bacia de Angola que tem, actualmente, um plano coordenado de irrigação. Os planos existentes neste momento para a bacia prevêem um aumento considerável de mais 572 000 ha com irrigação até 2025. A curto e médio prazo, isto incluirá:

  • A reabilitação de quase 9 000 ha no Médio e no Alto Kunene (6 000 ha perto de Matala, 2 000 ha em Chibia e 870 ha em Humpata);
  • A instalação de mais 2 000 ha na parte ocidental do Médio Kunene (300 ha perto de Chicungo, 200 ha perto de Quipungo e 1 500 ha perto de Sendi); e
  • A instalação de 8 500 ha no Médio Kunene, a parte central da bacia (1 500 ha ao longo do afluente Mucope e 7 000 ha entre Calueque e Xangongo).

A utilização de água para irrigação na bacia do rio Kunene em 2005 foi de 372 milhões de m³ (13 % da demanda total de água para irrigação em Angola). Assim, foi aplicada uma média de 8 900 m³/ano por hectare de área para irrigação.

A demanda de água para o gado dentro da bacia do Kunene foi estimada em 30 milhões de m³ em 2005. Isto foi igual a 29 % do consumo total de água pelo gado em Angola (SWECO Grøner 2005).

Manada de gado.
Fonte: Tump 2007
( clique para ampliar )

Namíbia

A irrigação de superfícies cultivadas consumiu cerca de 135 milhões de m³ (40 % da demanda total) em 2008. O consumo de água pelo gado está estimado em cerca de 87 milhões de m³ por ano, representando, desta forma, o segundo maior sector de utilização (26 %) no país.

A agricultura contribuiu com 5 a 6 % para o PIB da Namíbia nos últimos cinco anos. Contudo, cerca de 70 % da população da Namíbia depende de actividades agrícolas para a sua sobrevivência, sobretudo no sector de subsistência. Os produtos de origem animal, os animais vivos e as exportações de produtos agrícolas representam aproximadamente 5 % das exportações totais da Namíbia.

A agricultura de subsistência está limitada aos “terrenos comunitários” da parte populosa do norte do país onde prevalecem as manadas de gado itinerantes e onde as principais culturas são o massango (painço), a massambala (sorgo), o milho e o amendoim.

Gado

O mais recente censo do gado (2006) na Namíbia calculou os seguintes números aproximados para as principais categorias de animais: 2,4 milhões de bovinos, 2,7 milhões de ovinos e 2.1 milhões de caprinos. A quantidade total de água para os animais foi estimada em 87 milhões de m³ em 2008. Isto inclui um desperdício de cerca de 50 % devido ao excesso de água nos reservatórios, à evaporação e às perdas no tubagem, etc.

As necessidades de água para os animais dentro da unidade de planeamento “Kunene water basin” (definida pelo IWRM Plan Joint Venture Namibia e incluindo as bacias dos rios Kunene na Namíbia, Khumib, Hoarusib e Hoanib), foram estimadas em cerca de 7,3 milhões de m³ em 2008 (IWRM Plan Joint Venture Namibia 2010). As principais categorias de gado foram o bovino e o caprino.

Criação de gado no Baixo Kunene, Namíbia.
Fonte: Meat Corporation of Namibia 2008
( clique para ampliar )

Irrigação

Em 2008, foram equipados para irrigação cerca de 9 800 ha: 4 500 ha com irrigação de superfície, 3 300 ha com irrigação por aspersão e 2 000 ha com irrigação por escorrimento (FAO). As principais áreas irrigadas são:

  • O Sistema de Etunda no rio Kunene, com 640 ha de área equipada – irrigação de superfície (durante o dia) e irrigação por pivô central(durante a noite).
  • O Sistema de Hardap, com abastecimento a partir da barragem de Hardap. A área equipada tem cerca de 2 260 ha – principalmente irrigação de superfície e por aspersão. Alguns agricultores estão a mudar para a irrigação gota a gota.
  • Áreas irrigadas ao longo do rio Orange (tais como o Noordoewer Scheme – especialmente rega por escorrimento, e o Aussenkehr Scheme). A área equipada tem cerca de 2 000 ha.
  • Áreas irrigadas ao longo do rio Okavango (tais como o Shadikongoro Scheme – irrigação por pivô central) com uma área equipada aproximadamente com cerca de 1 350 ha.
  • Áreas irrigadas no rio Zambeze, tais como a Katima Farm (com cerca de 200 ha) e o Isisi Scheme (36 ha, irrigação por escorrimento).

Podem também obter-se mais informações no capítulo sobre Infra-Estruturas de Irrigação.

Foram feitos estudos para determinar a disponibilidade geral de solos irrigáveis que pudessem ser utilizados para melhorar a produção de alimentos na Namíbia. Verificou-se que só cerca de 950 000 hectares (ha) são muito adequados para irrigação e cerca de 2 650 000 ha são adequados para irrigação. Neste momento, estão com irrigação cerca de 10 000 ha. Se todos os solos muito adequados fossem irrigados com 15 000 m³/há/ano, a quantidade necessária de água seria de cerca de 14 km³. Isto representa o triplo do escoamento médio total anual do rio Kunene ou cerca de 1,5 vezes o caudal do rio Orange.

Etunda – Esperança para uma Namíbia Árida

Numa visita recente ao Sistema de Irrigação de Etunda – projecto agrícola de grande escala – o Presidente Hifikepunye Pohamba informou que, quando atingir a sua capacidade total, o projecto irá empregar mais de 150 pequenos agricultores em parcelas de 450 hectares. Serão ainda atribuídos 450 hectares de terra a mais 150 grandes agricultores. O projecto, iniciado com 15 pessoas, emprega actualmente perto de 90 e foi iniciado pelo governo em 1993 perto de Ruacaná na Região de Omusati.

[...] O projecto produz actualmente 5 000 toneladas de milho e 2 000 toneladas de trigo por ano. Produz também batata, algodão e legumes variados. Este ano, plantaram-se bananas em 6 hectares.

O projecto é dirigido pelo Ministério da Agricultura, Água e Florestas. Foi concebido de forma a incluir duas componentes – uma componente de assentamento humano e uma componente comercial.

As duas componentes têm uma dimensão igual mas a parte de assentamento está subdividida em parcelas de três hectares com sistemas convencionais de irrigação por aspersão enquanto a parte comercial está subdividida em unidades de 30 hectares equipadas com sistemas de irrigação por pivô central. O projecto tem nos seus planos a exportação dos seus produtos para os países membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) no futuro próximo.

Os trabalhadores do projecto estão a receber formação para se tornarem agricultores qualificados. O plano inicial do projecto consistia em produzir e fornecer tomate a uma fábrica de polpa de tomate que se iria instalar na zona. A fábrica planeada irá produzir polpa de tomate para a indústria da pesca. Devido ao atraso na construção da fábrica, que era uma condição indispensável para a produção de tomate, o projecto plantou outras culturas e o tomate só é produzido em pequena escala.

Fonte: adaptado de Namibia Economist, 03 Junho 2005

 

 



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