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Uso Doméstico  

O acesso a um abastecimento de água adequado é reconhecido como uma necessidade e direito humano fundamental e tem benefícios de saúde e económicos consideráveis para agregados familiares e indivíduos. A água é um serviço básico dos ecossistemas, necessário para uma vida sustentável.

O uso de água urbano é frequentemente agrupado com o uso de água industrial porque os centros urbanos estão frequentemente próximos de centros industriais. De modo semelhante, o uso de água rural é por vezes agrupado com requisitos de abeberamento de gado, de novo devido à proximidade das actividades. Tanto os usos urbano como rural de água incluem necessidades de água para uso doméstico.

Os dois principais factores que afectam o futuro da utilização e da demanda de água são o consumo humano e a irrigação. As principais incertezas na previsão do crescimento da demanda para fins domésticos incluem:

  • O aumento do consumo per capita quando há uma melhoria nas condições sócio-económicas;
  • O crescimento demográfico devido a altas taxas de nascimentos;
  • O efeito demográfico do VIH/SIDA; e
  • Os padrões de migração das zonas rurais para as urbanas.

A demanda de água em áreas urbanas e rurais é influenciada principalmente:

  • Pelos custos dos serviços de água e do desenvolvimento do recurso;
  • Pelas escolhas tecnológicas com base na situação sócio-económica dos utilizadores de água; e
  • Pelo clima.

Angola

Zonas Urbanas

Segundo a Estratégia de Desenvolvimento do Sector das Águas, a situação do abastecimento de água em 29 centros urbanos que, na totalidade, incluem cerca de 25 % da população total de Angola, é caracterizada por um declínio da cobertura dos serviços de abastecimento de água de cerca de 75 % em 1991 para 51 % em 2006. Só 16 % têm ligação à rede pública de água potável enquanto a maioria está dependente do fornecimento em postos públicos e por camiões cisternas.

Rapazes a retirar água de uma torneira pública.
Fonte: Tump 2007
( clique para ampliar )

A capacidade instalada média está avaliada em cerca de 42 L/c/d (litro per capita por dia) com um consumo efectivo de cerca de 20 L/c/d. A água não contabilizada (perdida por vazamentos, hidrómetros inadequados, furtos de água, contas subestimadas, erros cadastrais, etc.) está estimada num valor que chega aos 50 a 60 % dos volumes de água produzida.

Muitos dos centros urbanos dependem das águas subterrâneas como fonte de abastecimento de água. No Huambo, os agregados familiares sem acesso à rede pública de água potável recorrem, muitas vezes, a furos pouco profundos escavados manualmente. Nestes furos, instalam-se também, com frequência, bombas manuais e infra-estruturas como, por exemplo, lavandarias e sanitários públicos, contando para isso com o apoio da Direcção Nacional de Águas (DNA).

Zonas Rurais

Segundo os números da OMS/UNICEF para 2008 (WHO/UNICEF 2008), cerca de 38 % da população rural tem acesso a uma fonte melhorada de água potável. O abastecimento de água às zonas rurais é, essencialmente, feito por uma rede de 3 300 pontos de água, uma grande parte dos quais não funciona devido à falta de manutenção e de peças sobressalentes. Assim, uma proporção significativa da população vai buscar a água para uso doméstico a fontes de superfície, o que, muitas vezes, implica a deslocação a grandes distâncias para obtenção de pequenas quantidades de água.

Fontes de Água Potável

A água potável é obtida a partir das seguintes fontes:

  • Fontes protegidas: torneiras ou fontes públicas, água abastecida directamente da rede pública às habitações ou pátios, furos de exploração, poços protegidos ou água da chuva (se for consumida imediatamente).
  • Fontes não protegidas: lagos, rios e outros cursos de água, chimpacas e/ou cacimbas e camiões de água.

Quase todas as comunidades utilizam uma fonte de água não protegida: 61 % utilizam água de rios ou de lagos, 15 % de um poço não protegido e menos de 5 % das comunidades que serviram de amostra têm acesso a uma fonte protegida de água. Em Kunene, Huíla e Namibe mais de 50 % dos agregados familiares utilizam água de uma fonte protegida mas, em Kunene, 25 % consomem água de chimpacas, muitas vezes partilhando-a com os animais.

A utilização de água por animais e pelos seres humanos está mais bem gerida em Namibe e Huíla do que nas outras províncias. Cerca de 90 % das comunidades que serviram de amostra na Província de Kunene utilizam as mesmas fontes de água que os animais. Em Huíla, pelo menos em 30 % das comunidades, as fontes de abastecimento de água a animais e seres humanos estão completamente separadas.

Para a maior parte dos agregados familiares (79 %), a fonte de água está situada a um máximo de 30 minutos a pé mas 20 % precisam de andar, pelo menos, uma hora para chegar à fonte de água, A situação em Namibe é boa e 85-95% das famílias vivem a 30 minutos, no máximo, da fonte. Por outro lado, na Província de Kunene, a fonte de água fica a, pelo menos, uma hora de distância para 62 % da população.

Fonte: World Food Programme 2005

Torneira pública de água numa zona rural da bacia do rio Kunene.
Fonte: Tump 2007
( clique para ampliar )

Bacia do Rio Kunene

Dos 3,5 milhões de habitantes das 3 maiores províncias (Kunene, Huambo e Huíla) na bacia do rio Kunene, cerca de 3,02 milhões (19 % da população total de Angola) viviam dentro dos limites da bacia em 2005.

Segundo as estimativas, a população média nestas três províncias representava 22 % do total em 2005 (SWECO Grøner). Assim, assumiu-se também para a bacia do Kunene, em Angola, a mesma distribuição entre a população urbana e a rural.

O consumo total de água para uso doméstico pela população urbana e rural na bacia do rio Kunene em Angola foi de 23,2 milhões de m³ (15,6 % da demanda total para fins domésticos em Angola) em 2005, o que representa um consumo médio de 21 litros per capita e por dia.

Estes valores estão em conformidade com o documento sobre a Estratégia do Sector das Águas de 2003 onde se estima um consumo médio de 15 a 25 litros per capita por dia para as zonas predominantemente rurais.

População nas Províncias da Bacia do Kunene em Angola

Província População total
('000)
População urbana
(%)
População rural
(%)
Kunene 456 14 86
Huambo 1 508 27 73
Huíla 1 552 19 81
Total 3 516 22 78
Bacia do rio Kunene 3 021 22 78

Fonte: SWECO Grøner 2005.

Limites administrativos na bacia do rio Kunene.
Fonte: AHT GROUP AG 2010
( clique para ampliar )

Namíbia

A demanda urbana e rural representa apenas um pouco menos de 25 % da demanda total na Namíbia, onde a oferta de água está dividida em:

  • Abastecimento de água em massa, realizado pela empresa para-estatal, NamWater, por autoridades locais seleccionadas, como a Tsumeb, a Otavi, etc.;
  • Abastecimento de água às zonas rurais, realizado principalmente pela Direcção de Abastecimento de Água às Zonas Rurais em conjunto com as comunidades rurais e os agricultores comerciais; e
  • Empreendimentos privados de água realizados por empreendimentos mineiros, agricultores comerciais e empreendimentos turísticos.

A seguinte ordem de prioridades foi estabelecida para a atribuição da água nos casos em que há concorrência na demanda:

  • Primeira prioridade: Água para fins domésticos, incluindo o abeberamento de animais tanto em agricultura de subsistência como na comercial;
  • Segunda prioridade: Água para actividades económicas, tais como exploração mineira, indústrias e irrigação. As prioridades relativas a estas actividades terão de ser determinadas em cada caso específico de acordo com o seu valor em relação aos objectivos e planos globais de desenvolvimento do país.

Zonas Urbanas

A demanda de água para uso doméstico nas zonas urbanas por 905 000 habitantes para 2008 foi estimada em cerca de 66 milhões de m³. Os números mais elevados da demanda (30 milhões de m³) foram estimados para a unidade de planeamento “Omaruru-Swakop water basin”, definida pelo IWRM Plan Joint Venture Namibia 2010, onde se situa Windhoek (268 000 habitantes em 2007) (IWRM Plan Joint Venture Namibia 2010).

A unidade de planeamento “Kunene water basin” que inclui as bacias do Kunene (na Namíbia), Khumib, Hoarusib e Hoanib, foi ocupada por cerca de 7 500 pessoas que viviam em zonas urbanas em 2008. A demanda de água para fins domésticos foi estimada em cerca de 400 000 m³ por ano.

O maior sistema de infra-estruturas de abastecimento de água (o Sistema de Abastecimento de Água de Calueque-Oshakati) na Namíbia extrai a água do rio Kunene e fornece-a ao centro norte da Namíbia incluindo, entre outras, as cidades de Oshakati, Ondangwa, Helao, Nafidi e Outapi. No capítulo Transferência de Água em Massa, faz-se uma descrição deste sistema.

Zonas Rurais

Para efeitos de planeamento, a Direcção de Abastecimento de Água às Zonas Rurais aplica um valor médio de consumo de 25 litros per capita e dia para a população rural da Namíbia. Vários estudos adoptaram este valor. O consumo total da população rural (1 129 000 pessoas), calculado para 2008, foi de 10,3 milhões de m³. Isto corresponde a 3 % da demanda total.

A maior demanda (6,2 milhões de m³) foi avaliada para a unidade de planeamento “Cuvelai-Etosha water basin” com uma população de cerca de 680 000 habitantes.

A demanda de água pela população rural da unidade de planeamento “Kunene water basin” (32 700 pessoas) foi estimada em 300 000 m³ (IWRM Plan Joint Venture Namibia 2010).

Fotografia: A população rural está dependente de cerca de 3 300 pontos de água em Angola.

 

 



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