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Sistema Integrado do Rio Kunene  

No Terceiro Acordo sobre o Uso da Água de 1969, os Governos de Portugal e da África do Sul esquematizaram a primeira fase do desenvolvimento conjunto dos recursos hídricos do rio Kunene. O acordo esquematizava um plano para um sistema integrado de gestão do rio que permitiria o desenvolvimento de um projecto hidroeléctrico em Ruacaná. Isto resultou na construção de três grandes estruturas no rio na década de 1970 que integraram o “Sistema do Rio Kunene” e se vieram juntar ao já existente açude e central hidroeléctrica na Matala (ver Infra-estruturas para a Produção de Energia Hidroeléctrica em Angola). Estas três estruturas, construídas no Alto, Médio e Baixo Kunene, deveriam funcionar como um sistema integrado, oferecendo condições para caudais regulares para a geração constante de electricidade. As três estruturas são a barragem do Gove, o açude incompleto do Calueque (que também permite o fornecimento de água potável ao norte da Namíbia e o abastecimento de água para sistemas de irrigação) e o açude e central hidroeléctrica de Ruacaná a 170 km a montante das instalações propostas para o Projecto de Baynes (ERM 2009).

Os elementos do “Sistema do Rio Kunene” são:

A Barragem do Gove

Situada nas partes superiores da bacia, a 120 km a sul do Huambo, a barragem do Gove foi o primeiro componente do Sistema Integrado do Rio Kunene a ser concluído em 1975, tendo, por isso, facilitado a construção dos açudes em Calueque e Ruacaná. O reservatório atrás da barragem tem uma capacidade de armazenamento de cerca de 2 570 milhões de m³ embora a barragem tenha sido gravemente danificada durante a guerra. O caudal médio anual do rio no Gove é de cerca de 1 600 milhões de m³/ano.

Escoadouro da barragem do Gove.
Fonte: Vogel 2010
( clique para ampliar )

A principal função da concepção da barragem do Gove foi:

  • Armazenar as águas das cheias durante a época das chuvas e regularizar o caudal (prima aqui) ao longo de todo o Kunene durante o ano a fim de permitir uma geração óptima de energia a jusante na estação hidroeléctrica de Ruacaná.

Além disso, a barragem do Gove destinou-se também a:

  • Gerar energia hidroeléctrica para consumo local, sobretudo nas Províncias do Huambo e Bié. A partir de Fevereiro de 2011 haverá uma capacidade instalada de 60 MW 2011; e
  • Armazenar água e satisfazer as necessidades de irrigação ao longo do curso superior do Kunene em Angola.

A guerra em Angola impediu a utilização da barragem para regularização do caudal do Kunene de acordo com os planos e a estrutura foi danificada em dois ataques, tendo o segundo ataque, em 1990, causado danos particularmente graves. A barragem do Gove e as infra-estruturas a ela associadas estão neste momento em fase de Reabilitação para garantir o seu funcionamento de acordo com o previsto.

Um caudal regularizado no Kunene irá beneficiar não só a estação hidroeléctrica de Ruacaná mas será também útil, por exemplo, para as estações em Jamba Ia Mina e Jamba Ia Oma.

Açude do Calueque

O açude do Calueque fica situado na extremidade inferior do Kunene Médio a cerca de 540 km a jusante da barragem do Gove. As obras no açude começaram em 1972, estando concluídas a 70 % quando foram abandonadas devido à guerra; a barragem está, porém, parcialmente funcional, servindo para armazenar muito menos do que o volume previsto inicialmente de 475 milhões de m³. Em 1988, o açude foi gravemente danificado durante um ataque. O açude do Calueque foi concebido, tendo em mente duas funções:

  • Dar uma maior regularização do caudal do rio Kunene e permitir uma geração óptima de electricidade a jusante, em Ruacaná; e
  • Armazenar água para a transferência em massa para consumo por seres humanos e animais e para irrigação no norte da Namíbia.

Além disto, o açude serve para armazenar água para uso doméstico e desenvolvimento local.

Um acordo existente entre os Governos de Angola e da Namíbia permite uma captação máxima de 6 m³/s para uso no norte da Namíbia no âmbito deste Sistema de Transferência de Água em Massa. O açude do Calueque está neste momento em obras para cumprir todas as funções previstas, estando planeada uma extensão das suas funções com a construção de dois geradores hidroeléctricos.

No açude do Calueque ainda são visíveis os danos provocados pela guerra.
Fonte: Vogel 2006
( clique para ampliar )

O Açude de Derivação do Ruacaná

O açude de derivação do Ruacaná fica situado a cerca de 40 km a jusante do açude do Calueque no Baixo Kunene. O açude foi concluído em 1978 mas só começou a ser utilizado em Janeiro de 1980 quando as comportas foram fechadas pela primeira vez. O principal objectivo do açude de derivação do Ruacaná é:

  • Manter uma pressão hidrostática constante da água no rio e fazer a derivação da água através de uma conduta com 8 m de diâmetro para a geração de energia hidroeléctrica na Namíbia.

Embora o açude e as estruturas de entrada para a estação hidroeléctrica estejam situados em Angola, a estação hidroeléctrica propriamente dita está na Namíbia. A estação tem uma capacidade de 240 MW, três turbinas de 80 MW e é a principal fonte de geração de energia da Namíbia. A NamPower (a empresa nacional de electricidade da Namíbia) está a planear o aumento da capacidade de produção, com a instalação de uma quarta turbina.

A estação hidroeléctrica de Ruacaná é a principal fonte de geração de energia da NamPower apesar do facto que a contribuição de Ruacaná para as necessidades de energia eléctrica da Namíbia varia de ano para ano: em 1991, Ruacaná contribuiu com 69 %, enquanto, em 1997, decresceu para 31 % devido a condições hidrográficas.

As Quedas de Ruacaná com a estação de transformação eléctrica.
Fonte: Government of Namibia 2007
( clique para ampliar )
Vista esquemática do complexo hidroeléctrico de Ruacaná.
Fonte: Government of Namibia 2007
( clique para ampliar )

Devido à guerra, o Sistema do Rio Kunene ainda tem de funcionar de forma integrada conforme planeado. Até agora, o caudal do rio tem sido regularizado deficientemente pela barragem do Gove e o açude do Calueque, o que significa que a produção de energia hidroeléctrica em Ruacaná tem estado sujeita a enormes flutuações sazonais, com transbordamentos durante a estação das chuvas, muito pouca produção durante os períodos de seca e flutuações anuais. No entanto, as Obras em Curso tanto no Gove como em Calueque irão garantir que todo o complexo de Ruacaná irá, finalmente, funcionar como previsto.

 

 



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