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Irrigação na Namíbia  

O consumo total de água na Namíbia em 2000 foi de 300 milhões de m³. Desta quantidade, 213 milhões corresponderam à irrigação e 77 milhões de m³ a abeberamento do gado (ver Uso da Água na Agricultura). Estima-se que a demanda de água para fins agrícolas aumente para 342 milhões de m³/ano até 2015.

A agricultura irrigada está limitada a locais seleccionados ao longo das margens dos rios nas regiões norte e a sul do país e a áreas com abundância de água subterrânea e solos adequados como, por exemplo, Grootfontein-Tsumeb. É no sul do país que mais se consome água para irrigação.

O potencial nacional total de irrigação está estimado em 47 300 ha (0,2 % da superfície cultivável estimada). Calcula-se que, em 2010, havia 9 000 ha equipados.

A maioria das zonas irrigadas produzem, actualmente, culturas de baixo valor, embora também se cultivem produtos de valor elevado, tais como uvas, tâmaras, algodão e melão. Portanto, o valor acrescentado por m³ de água para irrigação é, geralmente, baixo quando comparado com os sectores de fabrico e de serviços, isto é, cerca de US$1,20/m³ em comparação com US$44/m³ e US$93/m³, respectivamente (FAO 2005).

Tipos de Agricultura Irrigada na Namíbia

Há quarto categorias básicas de agricultura no subsector da irrigação:

  • Pequenos agricultores, geralmente com parcelas de 1 ha, que recebem um apoio substancial do governo, com apoio gratuito à extensão, água e outros meios de produção agrícola, incluindo a preparação dos terrenos;
  • Agricultores comerciais de médio porte, instalados em talões de 30 ha e que conseguem obter empréstimos seguros do governo através do Land Bank (Banco da Terra);
  • Os empreendimentos agrícolas comerciais de grandes dimensões são os principais participantes do subsector e pertencem a proprietários privados que empreendem as actividades de irrigação por sua própria conta apesar de terem, muitas vezes, apoio do governo;
  • Agricultura paraestatal ou estatal realizada pela empresa nacional National Development Corporation (NDC). Estes empreendimentos agrícolas comerciais funcionam como empreendimentos estatais, com administradores e mão-de-obra remunerada. Em algumas das áreas irrigadas pertencentes à NDC instalaram-se agricultores em parcelas de três a quatro ha.

Fonte: FAO 2005b

A parte namibiana da bacia do rio Kunene fica numa zona remota e isolada. Actividades de agricultura irrigada principalmente ocorrem no sistema de irrigação de Etunda, perto de Ruacaná, a pouca distância fora dos limites da bacia. Os perímetros irrigados deste sistema, que foi inaugorado em 1995-96, abrangem aproximadamente 640 ha. O potencial total para irrigação é estimado em 1 200 ha.

A água fornecida para o sistema de irrigação de Etunda forma parte dos volumes de água retirados do açude do Calueque em Angola a montante das Quedas de Ruacaná (ver Sistemas de Transferência de Água em Massa). O sistema de captação de Etunda foi concebido para 2,1 m³/s, embora só esteja a ser utilizado 50 % do sistema e, portanto, neste momento, a demanda máxima é de 1,05 m³/s. Há, no entanto, planos de expansão até alcançar o potencial total so sistema (GoN 2010a).

Conduta derivada do canal de abastecimento de água potável de Calueque-Oshakati para o sistema de irrigação de Etunda.
Fonte: Tump 2008
( clique para ampliar )

Sistema de Irrigação de Etunda

O sistema de irrigação de Etunda está situado em Ruacaná, a cerca de 150 km a ocidente de Oshakati, na Região de Omusati. O empreendimento agrícola tem 600 ha, dos quais metade é utilizada para agricultura comercial e a outra metade para agricultura em pequena escala. Na parcela comercial (300 ha), cultiva-se milho enquanto outras variedades, tais como trigo, batatas, couves, cebolas, melões e bananas são cultivadas sazonalmente ao longo do ano por pequenos agricultores. A mão de obra em Etunda inclui 126 trabalhadores no total, sendo 45 do género masculino e 81 do género feminino.

Pequenos Agricultores

O empreendimento agrícola envolve cerca de 82 pequenos agricultores. Cada um deles tem uma parcela de cerca de três ha para irrigação. Contudo, há seis pequenos agricultores a quem foram atribuídos cerca de 6 ha. Os seis agricultores foram seleccionados de acordo com os respectivos níveis de produtividade e pela forma como mantêm e gerem os seus produtos. Isto serve-lhes de incentivo e constitui uma motivação para outros pequenos agricultores. São considerados como os “melhores agricultores” pela responsabilidade que tomam no que concerne ao pagamento das suas contas. Enqanto os pequenos agricultores produzem milho, couve, tomate, cebolas, noz pecã, mancara, batata-doce e melancia, os “melhores” pequenos agricultores estão agora a produzir trigo por causa dos hectares adicionais que ganharam.

Como a maior parte dos pequenos agricultores não conseguiu pagar as suas contas, receberam um empréstimo de cerca de N$ 3 milhões no Agri Bank em Janeiro de 2007. Estão a utilizar um sistema de “vouchers”, recebendo cada um cerca de N$ 20 000 a N$ 100 000 conforme o programa. Este empréstimo é dado pelo Ministério da Agricultura, Água e Florestas (MAWF) e gerenciado pelo Agri Bank.

Prestadores de Serviços

Um prestador de serviços possui dez pivôs centrais, cobrindo cada um deles uma área grande de cerca de 30 ha. Produzem os mesmos cultivos que os pequenos agricultores excepto bananas e trigo. O governo ajuda os prestadores de serviços através de infra-estruturas e máquinas (pivôs, tractores, camiões e carros).

Comercialização

O prestador de serviços tem a vantagem de comercializar os seus próprios produtos. Sabe onde vender tanto dentro como fora do país, especialmente à África do Sul. Os pequenos agricultores, por sua vez, vendem os seus produtos em Oshakati e à volta de Etunda. É-lhes fornecido um camião para comercializarem os seus produtos.

Segunda Fase do Projecto de Irrigação de Etunda

Haverá uma segunda fase do projecto que incluirá cinco a seis pivôs centrais. A área já foi preparada e foram instaladas linhas de electricidade e condutas de água. Foi publicado um anúncio para a contratação de um técnico que esteja disposto a ser o prestador de serviços nesta fase. Os trabalhos iniciam-se depois de contratado o prestador de serviços. Alguns dos agricultores que estão a receber formação em Mashare serão reassentados neste local.

Fonte: GoN 2010b

Note-se que toda a água extraída do rio a montante das Quedas de Ruacaná entra em concorrência directa com a geração de energia na estação hidroeléctrica de Ruacaná e o Valor Económico da Água será importante na decisão como o projecto pode ser desenvolvido.

A única outra área com potencial para irrigação ao longo do rio fica em Otjindjangi, a cerca de 250 km a jusante das Quedas de Ruacaná. Estima-se que esta área remota depende do desenvolvimento hidroeléctrico do Baixo Kunene. No entanto, numa perspectiva económica, parece ser duvidoso que se possam justificar novos projectos de irrigação na parte namibiana da bacia (GoN 2010).

 

 



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