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Doenças Relacionadas com a Água e o Saneamento  

Os povos da bacia do rio Kunene estão expostos a uma série de doenças relacionadas com a água ou a falta de saneamento.As três doenças mais significativas, que estão indicadas abaixo, são:

  • Cólera;
  • Bilharziose (Esquistossomíase); e
  • Malária.

Cólera

A cólera é provavelmente a doença diarreica mais conhecida.Esta doença causa desconforto grave, desidratação, perda de electrólitos importantes para o organismo e, se não for tratada, pode resultar em morte. Todas as doenças diarreicas são transmitidas pela "rota fecal-oral”. Em palavras simples isso significa que as bactérias nas fezes de uma pessoa são ingeridas por outra pessoa. As formas de transmissão da doença são ilustradas pelo diagrama F (em inglês), porque F é a primeira letra de cada uma das vias de transmissão:

  • Fluids (fluidos, normalmente água);
  • “Fingers” (dedos);
  • “Food” (alimentos);
  • “Flies” (insectos); e
  • “Fields” (campos, machambas).

Estas doenças prosperam em áreas onde o saneamento e a higiene são deficientes.As doenças mencionadas são consideradas de origem hídrica (transmitidas pela água) ou derivadas da falta de água, insuficiente para efeitos de limpeza, o que resulta numa higiene medíocre e, consequentemente, na ocorrência de infecções.

Vias de contaminação fecal-oral – diagrama F.
Fonte: Davis e Lambert 1995
( clique para ampliar )

A cólera foi a primeira doença a ser identificada como sendo de origem hídrica.É causada pela bactéria vibrio cholerae. Essa bactéria provoca grandes volumes de diarreia aguda extremamente aquosa, seguida de vómitos e cãibras musculares. Em casos não tratados, cerca de 60 % das vítimas acabam por morrer. Os grandes volumes de diarreia infestam o ambienteimediato que, cheio de bactérias vibrio cholerae, resulta na infecção de mais indivíduos se a doença não for controlada.Contudo, o tratamento é relativamente simples e pode diminuir os casos de morte de pessoas infectadas para menos de 1 % (World Bank 1983).

As epidemias de cólera têm ocorrido frequentemente na bacia do rio Kunene ao longo dos últimos anos. Em 2006, Angola foi atingida por uma das maiores epidemias de cólera em África nos últimos 10 anos, tendo infectado mais de 43 000 indivíduos e custado a vida a 1 600. Na bacia do Kunene, foram afectadas todas as províncias, nomeadamente Huambo, Huíla e Namibe. No entanto, em 2009 registou-se uma redução dos casos de cólera nos primeiros sete meses do ano, com apenas 681 casos e três mortes. Embora não de forma tão dramática como a epidemia ocorrida em Angola em 2006, a Namíbia também foi afectada pela cólera após as cheias de 2008.

Bilharziose (Esquistossomíase)

Bilharziose, ou esquistossomíase é uma infecção por helmintos (vermes ou lombrigas) de origem hídrica. Mais de 250 milhões de pessoas são infectadas com esquistossomíase em todo o mundo, principalmente nos países em desenvolvimento. O contágio ocorre através da pele, quando se toma banho com água contaminada.

O parasita desenvolve-se e torna-se adulto no corpo humano, habitando nas veias ao redor da bexiga, ou entre o intestino e o fígado.Aqui os vermes multiplicam-se e põem centenas de ovos. São os ovos destes parasitas que causam a doença. Alguns escapam para o intestino ou para a bexiga e deixam o corpo humano através da urina e das fezes, causando sangramento e danos aos tecidos. Quando os ovos entram na água contaminam caracóis aquáticos e passam parte do seu ciclo de vida na água. Mais tarde eles deixam o caracol e nadam livres na água, prontos a contagiar um novo hospedeiro humano. Os ovos que permanecem no corpo ficam presos nos vasos sanguíneos, nos pulmões, no cérebro ou até na medula. A bilharziose ou esquistossomíase causam inflamação crónica, são dolorosas e podem provocar cancro e morte prematura (World Bank 1983). A defecação ao ar livre permite que os ovos se introduzam noutros corpos aquáticos, o que leva à infecção contínua (ver ilustração abaixo). A esquistossomíase tem um efeito muito negativo no desenvolvimento mental e físico das crianças.

A esquistossomíase é endémica em todo o território angolano. Na Namíbia, que é um país consideravelmente mais seco, o risco de infecção está limitado essencialmente às regiões norte e nordeste do país, não afectando a bacia (IAMAT 2010).

O ciclo de vida do parasita da esquistossomíase.
Fonte: www.cdc.gov
( clique para ampliar )
O ciclo de vida do parasita da malária.
Fonte: www.cdc.gov
( clique para ampliar )

Malária

A malária é uma doença transmitida por um insecto vector, nomeadamente pelo mosquito do género anopheles, de criação hídrica.É um insecto comum na maioria das regiões tropicais e subtropicais, registando-se cerca de 500 milhões de casos da doença em todo o mundo a cada ano, e 3 milhões de mortes, a maioria das quais entre crianças pequenas. 90% de todas as mortes por malária ocorrem na África subsariana.

Um mosquito é infectado quando suga o sangue de uma pessoa infectada.Uma vez ingerido, o parasita celular recebido por via sanguínea continuará a diferenciar-se em células masculinas ou femininas, e funde-se no intestino do mosquito. Esta célula fertilizada penetra o revestimento do intestino e forma um cisto na parede do intestino. Quando o cisto rompe, liberta "esporozoítos" que migram através do corpo do mosquito até as glândulas salivares, onde estão prontos para infectar um novo hospedeiro humano. Os esporozoítos são injectados na pele, juntamente com a saliva, quando o mosquito se alimenta de sangue. Como os mosquitos se criam na água, depositando os seus ovos em águas paradas, as drenagens de má qualidade e as piscinas incentivam a sua criação, aumentando assim a possibilidade de propagação da malária.

Clique no link que se segue para poder aceder a uma apresentação animada do Ciclo de Vida de um Parasita da Malária.

A malária é um grande problema na parte angolana da bacia do rio Kunene. Angola tem uma elevada incidência de malária, com 3,1 casos de malária registados e 8 000 mortes em 2009. A transmissão ocorre ao longo de todo o ano, mas evidencia uma tendência mais sazonal no sul, sendo o Alto e o Médio Kunene regiões endémicas da malária (MARA 2005).

O clima mais seco da Namíbia torna este país de um modo geral menos propenso à propagação da malária. Na bacia, a região a sul do rio, de Ruacaná até à área em redor das Quedas de Epupa é uma zona onde podem ocorrer epidemias, se bem que a malária não é endémica nesta região (MARA 2005). As estatísticas do governo para 2010 mostram que as mortes provocadas pela malária diminuíram em 90 % entre 2001 e 2008 (de 1 728 para 171), enquanto o número de casos de malária tratados em hospitais registou uma redução de 77 %, de 41 100 para 5 200, durante o mesmo período.

 

 



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