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A População e o Rio

 



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Agricultura  

A agricultura sustenta um conjunto de importantes meios de vida da população da bacia do rio Kunene. Trata-se de uma actividade de importância sócio-económica fundamental, dado que é praticada pela grande maioria das famílias rurais.

Mulher a comercializar produtos agrícolas num mercado local
Fonte: AHT GROUP AG 2009
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Angola

Em Angola, a agricultura gera actualmente menos de 10 % do Produto Interno Bruto (PIB). Todavia, proporciona emprego e contribui para a segurança alimentar de mais de dois terços de toda a população economicamente activa do país. Estima-se que apenas cerca de 20 a 30 % de todas as terras agrícolas estejam a ser utilizadas actualmente, sendo 90 % dessas terras (uma média de 1,4 ha por agregado familiar) utilizadas por agricultores que se dedicam à agricultura de subsistência (o chamado “sector familiar”) e os restantes 10 % utilizados para agricultura comercialmente orientada. Conforme estimado, 85 % da população depende da agricultura de subsistência ou quase subsistência como base dos seus meios de vida (MUA 2006).

Antes da independência (1975), o país foi um importante produtor agrícola comercial, gozando de auto-suficiência alimentar e exportando grandes quantidades de culturas alimentícias como milho, mandioca e feijão, e de culturas comercializáveis como café, sisal e algodão. A longa guerra civil angolana (1975-2002), associada à Guerra da Independência da Namíbia (décadas de 70 e 80) que afectou o sudoeste angolano e a bacia do Kunene em particular, destruiu em grande parte a base agrícola comercial do país. Em consequência do conflito armado, a grande maioria da restante população rural da bacia do rio Kunene, bem como de outras regiões de Angola e a maioria dos grupos retornados de populações rurais anteriormente deslocadas recorreram a uma agricultura de subsistência ou quase subsistência para sobreviverem e melhorarem as suas condições de vida.Contudo, nos últimos tempos tem-se vindo a assistir ao regresso de uma determinada proporção da população rural às “culturas comercializáveis”.

Transportando bens agrícolas numa área rural de Angola.
Fonte: AHT GROUP AG 2009
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Namíbia

Na Namíbia, o sector agrícola contribuiu apenas para 5 % do PIB (em 2004), mas cerca de 1,2 milhões de pessoas – perto de 60 % da população namibiana – vivem em terrenos agrícolas que constituem cerca de 78 % da área de superfície terrestre do país. Do valor total da produção agrícola bruta da Namíbia em 2004, 76 % derivaram das propriedades agrícolas particulares e 24 % das áreas comunitárias (Mendelsohn et al. 2006).

Na Namíbia, os sistemas de exploração agrícola dividem-se em 4 categorias principais (Mendelsohn et al. 2006):

  • Cultura de cereais e criação de gado em pequena escala (mahangu, sorgo, milho africano, cabras e gado bovino) em pequenas propriedades agrícolas e pastagem aberta em áreas comunitárias em algumas zonas do centro-norte e nordeste do país (8,5 % do terreno agrícola total), para consumo familiar e complemento dos rendimentos derivados de actividades não agrícolas;
  • Criação de gado em grandes propriedades particulares e em propriedades exclusivas em terras comunitárias, para produção de carne (principalmente para consumidores na África do Sul, Europa e Namíbia) - bem como em pastagens abertas na secção inferior da bacia do Kunene (49 % do total de terrenos agrícolas) - consultar a secção sobre Pecuária;
  • Gado de pequeno porte (ovelhas e cabras) em grandes propriedades particulares e pastagens abertas em áreas comunitárias nas regiões do sul e ocidente (42 % do total dos terrenos agrícolas) com carneiros e cabras para venda comercial a consumidores sul-africanos e namibianos; e
  • Agricultura intensiva (milho, trigo, uvas, avestruzes, azeitonas, tâmaras, porcos, lacticínios, vegetais e fruta) em pequenas propriedades, na maioria dos casos irrigadas, em todo o país (menos de 0,1 % do total de terrenos agrícolas), para venda comercial a mercados de exportação e a consumidores namibianos.

Além disso, podem ser encontrados sistemas de “produção de recursos naturais” (envolvendo a utilização, caça e domesticação de animais selvagens, a aclimatação de plantas, a caça de troféus e o turismo) em cada vez mais áreas agrícolas, incluindo propriedades agrícolas particulares, assim como as áreas de conservação de propriedade comunitária e particular. Estes sistemas de produção proporcionam rendimentos e meios de vida que complementam aqueles derivados da agricultura (consultar também a secção sobre Ecoturismo).

Bacia do Rio Kunene

Os padrões de agricultura e pecuária variam ao longo da bacia (TDA/EPSMO 2009, MUA 2006):

  • No Alto Kunene (clima subtropical húmido com precipitação média anual entre 1000 e 1500 mm), as culturas dominantes são o milho e o feijão, e em menor escala a batata-doce, desempenhando o gado um papel complementar nos sistemas agrícolas locais, sendo utilizado para tracção animal e como fonte de leite.
  • No Médio Kunene (clima maioritariamente semi-árido com uma precipitação média anual entre 400 e 1000 mm), os sistemas de exploração agrícola baseiam-se geralmente na criação de gado, bem como em maior ou menor grau nas culturas agrícolas, dependendo da sua localização, sendo plantada uma maior variedade de culturas (milho, mandioca, sorgo – massambala, painço – massango e feijão frade –feijão macunde).
  • A secção inferior (semi-)árida do Kunene (precipitação média anual inferior a 400 mm) é dominada por pastoreio de subsistência, complementado por cultivo (essencialmente painço, sorgo, milho e abóboras) na margem do rio Kunene e em redor de nascentes durante a estação das chuvas.

Em toda a bacia, a agricultura e a pecuária são as actividades que mais contribuem para a segurança alimentar das famílias, sendo a principal fonte de meios de vida. Contudo, estes meios de vida são complementados pela recolha de lenha, pela produção e venda de carvão (especialmente próximo dos grandes centros urbanos), pela colheita, consumo e venda de alimentos naturais e de plantas medicinais, pela caça de animais selvagens, bem como pela pesca artesanal em rios e lagos. Algumas destas actividades também proporcionam ou contribuem para rendimentos monetários modestos e meios de vida associados.

Os alimentos naturais, remédios e rendimentos monetários tornam-se as principais fontes de meios de vida para os que se dedicam à agricultura de subsistência durante os períodos de escassez de recursos e privação. Para aqueles que são demasiado pobres para se dedicarem à agricultura, estes meios de vida suplementares poderão ser, todavia, a única forma de sobrevivência.

 

 



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