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A População e o Rio

 



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Produção de Culturas Irrigadas  

Embora a agricultura na bacia do rio Kunene seja essencialmente de sequeiro, existem operações de irrigação modestas, tanto na parte namibiana, como na parte angolana da bacia. O potencial de expansão da agricultura irrigada na parte angolana é considerável, existindo planos abrangentes para a reabilitação e nova construção de infra-estruturas de irrigação. O aumento das provisões de água superficial e subterrânea para as culturas de regadio e para a pecuária irá melhorar adicionalmente a contribuição da agricultura para o conjunto de meios de vida da população da bacia.

Irrigação em pequena escala.
Fonte: Tump 2005
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Angola

Na parte angolana da bacia do Kunene, a irrigação e a sua contribuição para os meios de vida rurais deverá ser vista no âmbito mais amplo da agricultura de regadio em Angola.

São relativamente escassos os dados pormenorizados recentes relativos à irrigação em Angola. De acordo com as estimativas de 2005, a área total potencialmente irrigável é de cerca de 3,7 milhões de ha (FAO 2005). Antes da independência, a área total sob irrigação foi estimada em cerca de 400 000 ha (11% da área potencial). A reabilitação e extensão das áreas irrigadas foram consideradas actividades prioritárias para a reconstrução do país e para assegurar a segurança alimentar.

Para iniciar a exploração deste potencial está a ser implementado um ambicioso programa nacional de desenvolvimento de sistemas de irrigação por parte do Ministério da Agricultura e do Desenvolvimento Rural MINADER (GoA 2005). A nível nacional, este programa tem como objectivos:

  • A reabilitação de sistemas simples de conservação de água com potencial para irrigar cerca de 850 000 ha de terra;
  • A reabilitação de sistemas de pequena e média a grande escala com potencial para irrigar 162 000 ha de terra; e
  • A implementação de novos sistemas de pequena e média escala a grande escala com potencial para irrigar cerca de 52 000 ha de terra.

Estes sistemas destinam-se a promover a agricultura e a pecuária entre agricultores familiares, pequenos proprietários e agricultores comerciais, sustentando assim meios de vida agrícolas mais diversificados. Dos meios planeados para grandes sistemas, foi dada prioridade a 17 sistemas em nove províncias, para reabilitação ou nova construção, alguns deles na bacia do rio Kunene (ver abaixo).

Namíbia

Na Namíbia, os terrenos de agricultura de regadio não são mais de 500, e na maior parte dos casos são relativamente pequenos. Estão localizados ao longo das margens dos rios perenes (Orange, Okavango, Zambeze e Kunene), a jusante de barragens (Hardap e Naute), em áreas com aquíferos subterrâneos (“Triângulo do Milho” Stampriet, Hochfeld, Tsumeb-Otavi-Grootfontein) e ao longo de rios efémeros (Swakop, Hoanib e Omaruru).

Dois terços da área utilizada para agricultura irrigada intensiva (cerca de 26 000 ha no total) são plantados com milho branco, sendo também plantadas várias outras culturas, na maioria de elevado rendimento. Estas incluem trigo, uvas de mesa, azeitonas, tâmaras, vegetais e fruta. Esta produção de culturas de regadio destina-se à venda para mercados de exportação e consumidores namibianos e proporcionam aos agricultores uma base de meios de vida, essencialmente através de rendimentos monetários gerados a partir das vendas comerciais de produtos agrícolas e animais.

Bomba de pedal para irrigação em pequena escala, Angola.
Fonte: Tump 2007
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Irrigação em pequena escala na bacia do Médio Kunene.
Fonte: Tump 2007
( clique para ampliar )

Bacia do Rio Kunene

Sistemas de Irrigação na Parte Angolana da Bacia

Os planos actuais de expansão da irrigação mediante utilização da água da bacia do rio Kunene prevêem uma área total de irrigação de mais de 600 000 ha até 2025. Esta expansão está planeada essencialmente para o Médio Kunene, onde cerca de 595 000 ha aguardam um desenvolvimento.

Existem vários sistemas de irrigação de média a grande dimensão presentemente em funcionamento na parte angolana da bacia do rio Kunene: Matala e Humpata-Neves (perto do Lubango) na Província de Huíla e Manquete na Província de Kunene, todos na secção intermédia da bacia. A estes três sistemas, bem como a dois outros sistemas presentemente inactivos no Médio Kunene (Chibia-Gandjelas na Província de Huíla e Calueque na Província de Kunene) foi atribuída prioridade para reabilitação e expansão ao abrigo do programa nacional de sistemas de irrigação (ver acima).

Para além da reabilitação dos sistemas de irrigação, o programa também visa a criação de novas áreas irrigadas. Na bacia do rio Kunene estão incluídos: Quipungo-Malipe (200 ha), Sendi (1 500 ha) e Chicungu (300 ha) na Província de Huíla e Calueque (16 000 ha) na Província de Kunene. Em todos estes novos “projectos”, o fornecimento de água ao gado desempenha um papel central (GoA 2005).

Para obter informações adicionais, consulte Reabilitação e Expansão de Áreas Irrigadas.

Abeberamento do Gado

Face à limitação e variabilidade dos recursos hídricos nas zonas mais secas da bacia do Kunene, os agricultores recorrem há muito tempo à água subterrânea para darem de beber ao gado e para irrigarem as culturas, assegurando assim a segurança alimentar das suas famílias e apoiando os meios de vida familiares. O programa nacional de sistemas de irrigação inclui um projecto para as Províncias de Huíla–Namibe–Kunene que visa a escavação de Chimpacas e a perfuração de furos de água para finalidades de desenvolvimento agro-pecuário, destinados a pequenos e médios agricultores, bem como ao abastecimento de água para uso doméstico em zonas rurais (GoA 2005).

Sistemas de Irrigação na Parte Namibiana da Bacia

A bacia do Kunene também proporciona água para irrigação no norte da Namíbia. A água é bombeada do rio Kunene, no açude do Calueque em Angola, e é transportada através de um canal aberto construído no final da década de 60 para abastecer água à região centro-norte da Namíbia. Em 1998, foi instalado neste canal um sistema de extracção de água que permite retirar até 2,1 m³/s de água do canal, pouco após este cruzar a fronteira, para abastecer o Sistema de Irrigação de Etunda localizado na Região de Omusati, próximo de Ruacaná, a pouca distância além dos limites da bacia do Kunene. Este sistema está actualmente desenvolvido a 50 %, com 300 ha atribuídos para agricultura comercial (empregando 126 trabalhadores) e os outros 300 ha para agricultura em pequena escala (cerca de 82 agricultores, a maioria dos quais cultivam lotes de 3 ha cada). O milho é a principal cultura comercial, sendo cultivadas também outras culturas sazonais ao longo do ano por agricultores de pequena escala (milho, batata-doce, couves, tomates, cebolas, abóboras, amendoim e melão). A venda do milho proveniente da agricultura comercial proporciona rendimentos monetários aos agricultores, enquanto o cultivo em pequena escala apoia a subsistência dos agricultores em dois sentidos: associando a segurança alimentar através da agricultura de subsistência a rendimentos monetários através da venda de produtos agrícolas (Agribank website 2010).

A única área com um significativo potencial para irrigação está localizada em Marienfluss,directamente ao longo do curso inferior do rio Kunene no lado namibiano, cerca de 250 km a jusante das Quedas de Ruacaná. O possível desenvolvimento desta área remota e isolada depende, contudo, do desenvolvimento de energia hidroeléctrica no Baixo Kunene (MET 2010). Isto tornar-se-á uma realidade caso que os Governos de Angola e da Namíbia autorizem a construção de uma central hidroeléctrica em Baynes, presentemente a ser investigada como a melhor opção de localização para essa finalidade.

Para obter informações adicionais sobre a produção de culturas de regadio na bacia, por favor clique em Infra-estruturas de Irrigação e Irrigação na Bacia.

 

 



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