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A População e o Rio

 



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Pecuária  

A pecuária é uma importante base de meios de vida para uma grande parte da população da bacia do Kunene, particularmente na secção intermédia e inferior, onde o clima é seco.

O gado poderá ser utilizado como fonte de alimento sob a forma de carne e leite, para tracção animal e para carregar cargas. A pecuária na sua forma “pura” tem sido tradicionalmente praticada pelos Grupos de Língua Herero na Namíbia e noutras áreas da região. Tradicionalmente, estas comunidades e sociedades pastoris basearam a sua dieta em produtos animais como a carne, o leite e o sangue. Vêem frequentemente o gado – em particular o gado bovino e caprino – como uma reserva de riqueza, podendo estar culturalmente e espiritualmente “ligados” ao gado.

Meios de vida pastoris no curso inferior do rio Kunene.
Fonte: Verelst 2005
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Formas de Pecuária

As formas flexíveis e móveis de pecuária evoluíram e têm sido praticadas desde há muito tempo por diferentes grupos étnicos em África e noutros continentes, como forma de optimizar a utilização de pastos e recursos hídricos escassos em áreas de grande extensão. Estes sistemas pecuários são designados por pastoreio nómada ou transumante:

O pastoreio nómada implica padrões de movimento irregulares mas normalmente coordenados dos animais domésticos e pessoas, dependendo da alteração da distribuição das pastagens e recursos hídricos disponíveis, de forma a assegurar o acesso a pastos e a recursos hídricos em qualquer altura, durante condições de escassez de recursos naturais.

O pastoreio transumante é uma forma de pastoreio móvel que envolve padrões mais previsíveis de movimentos sazonais cíclicos dos animais domésticos e, em grau variável, das pessoas, ao longo de rotas específicas. Durante a estação das chuvas, quando os recursos hídricos e as pastagens são relativamente abundantes, os animais permanecem normalmente nos assentamentos (semi-)permanentes das pessoas ou próximo dos mesmos. Durante a estação seca, os animais são deslocados para áreas de pasto específicas, onde os recursos de pastagem tendem a perdurar ao longo da estação seca. As áreas de pasto da estação seca poderão ser “postos de gado” para onde o gado é levado para pastar por alguns dos membros mais jovens da comunidade, regressando quando a estação seca termina, enquanto a maior parte das pessoas permanece nos seus assentamentos. Nas regiões mais secas, ou em circunstâncias particulares de escassez de recursos, as pessoas poderão juntar-se aos seus animais na viagem para as áreas de pastagem da estação seca.

Exemplos: As populações Himba de língua Herero que habitam as zonas do Baixo Kunene de ambos os lados do rio são um exemplo de um grupo pastoril nómada que, com o tempo, adoptou formas transumantes de pastoreio. Os movimentos transumantes de gado não estão necessariamente limitados exclusivamente a comunidades e sociedades pastoris baseadas na criação de gado. Também ocorrem em sistemas mistos (agro-pecuários) como os praticados pela população Mbandya, um Grupo de Língua Oshiwambo que habita no sudoeste da Província de Kunene (Mendelsohn 2008).

Gado utilizado para puxar cargas pesadas.
Fonte: Tump 2005
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Pecuária na Bacia do Rio Kunene

A pecuária está praticada em toda a bacia do rio Kunene. No Alto Kunene, o gado complementa a produção agrícola como fonte de alimento, proporcionando também força de tracção e trabalho animal. Mais a jusante, a pecuária torna-se cada vez mais importante e, eventualmente – nas secções (semi-)áridas inferiores – a opção predominante do uso dos solos. O gado bovino e caprino domina a pecuária na bacia, com números significativos de suínos, galinhas e burros. As ovelhas são raras (GoA 2005, Mendelsohn 2008).

No Baixo Kunene, a população Himba tem praticado desde há muito um sistema de pastoreio nómada que, mais recentemente, durante a época colonial e na Namíbia pós-colonial, evoluiu para um sistema de pastoreio transumante, em consequência das pressões para abandonar o nomadismo e assumir um estilo de vida e economia sedentários. Os Himba detêm terras em regime comunitário, administradas por chefes que gerem e controlam os direitos de assentamento e pastagem. Embora as famílias possuam a terra em redor dos seus domicílios, elas também detêm e utilizam colectivamente as vastas terras de pastagem, com grupos de homens mais idosos atribuindo os direitos aos membros da comunidade, de forma que o pasto seja gerido de modo sustentável. Cada comunidade tem de respeitar os direitos de pastagem comunitários das outras comunidades e solicitar autorização antes de utilizar a terra de outros. O grau de movimento é inferior em Angola comparativamente à Namíbia, pois o gado é maioritariamente mantido na vizinhança do domicílio (ERM 2009).

A dieta e meios de vida dos Himba dependem fundamentalmente da economia de pastoreio nómada. Contudo, vários produtos naturais como os frutos da palmeira hyphenae ventricosa complementam a sua dieta numa base sazonal e durante as épocas de seca prolongada. Na estação húmida, os Himba também se dedicam a uma agricultura de pequena escala na margem do rio Kunene, destinada ao consumo familiar. As principais culturas são o milho, o painço (massango), o sorgo (massambala) e abóboras (ERM 2009). Estes alimentos naturais complementares, bem como os rendimentos monetários obtidos com a venda de artesanato a turistas diversificam os seus meios de vida. O estabelecimento de áreas de conservação comunitárias, como “Marienfluss” e “Kunene River”, aumentou e diversificou adicionalmente os meios de vida dos Himba que são membros destas áreas de conservação (ver Ecotourismo).

A pastagem (transumância) sazonal também ocorre mais para este (a leste de Ruacaná), afectando a zona mais a sul da secção intermédia da bacia do Kunene. Os agricultores Mbandya (ver exemplo acima) na Província de Kunene, próximo da fronteira com a Namíbia, deslocam o seu gado até à área de Mucope 100 km a norte, para pastarem durante a estação seca (Mendelsohn 2008).

Sistemas Hidro-pastoris e Explorações Pecuárias Comerciais

O programa de sistemas de irrigação de Angola do MINADER (ver Produção de Culturas Irrigadas) inclui um sistema de prioridades que apoia a exploração pecuária: o sistema hidro-pastoril de Huíla–Namibe–Kunene, com uma área total prevista de 1 990 ha, visa a escavação de chimpacas e a perfuração de furos de água destinados a famílias individuais e a pequenos e médios agricultores (GoA 2005).

Além disso, está a ser estabelecido um número significativo mas desconhecido de explorações pecuárias comerciais (fazendas) de vários milhares de hectares cada, no sul da Província de Kunene em Angola, para a produção de carne para venda nos mercados das principais cidades angolanas (Mendelsohn 2008). As localizações efectivas ou prováveis destas explorações agrícolas não são conhecidas, e não se sabe quantas delas se encontram na bacia do rio Kunene.

Comércio e Pastagem Transfronteiriços

Desde há muito que existem interacções e relações transfronteiriças significativas, envolvendo o comércio e a pastagem de gado “além fronteiras” entre o centro-norte da Namíbia e a Província de Kunene em Angola, a oeste do ponto em que o rio Kunene começa a formar a fronteira. O gado namibiano é vendido em Angola e vice-versa, tendo o aumento dos preços do gado em Angola resultado numa queda das vendas de gado angolano na Namíbia. O gado namibiano também pasta frequentemente em Angola, ao passo que o gado angolano não pasta na Namíbia. Estas interacções transfronteiriças decrescem em intensidade em direcção a oeste. Contudo, afectam o sul do Médio Kunene, em Angola, a norte e nordeste do açude do Calueque, até a área de Xangongo e além (Mendelsohn 2008).

 

 



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