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A População e o Rio

 



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Grupos Étnicos  

Esta secção fornece uma descrição dos grupos étnicos que habitam na bacia do Kunene. Esta descrição é de carácter muito geral devido às informações contraditórias existentes nas diferentes publicações e à falta geral de estudos pós-guerra em Angola.

É de realçar que o conceito de “grupos étnicos” se está a tornar cada vez mais controverso. Isto deve-se em parte ao facto de a descrição dos grupos étnicos ter sido frequentemente feita pelas potências coloniais e não corresponder necessariamente à interpretação que as populações têm da sua própria identidade. Um outro motivo é a grande mistura das populações autóctones, que levou a uma espécie de “fusão” dos grupos “étnicos” homogéneos, outrora definidos por determinadas características.

Distribuição dos grupos étnicos na bacia do rio Kunene.
Fonte: AHT GROUP AG 2010
( clique para ampliar )

Grupos de Língua Bantu

A maior parte da população da bacia pertence ao grupo dos indivíduos que falam Bantu que, por sua vez, pode ser subdividido em numerosos grupos e subgrupos.

Os Ovimbundu

A região do Alto Kunene em Angola é parcialmente habitada por famílias e indivíduos do “grupo” Ovimbundu que falam Umbundu (uma das línguas Bantu) e têm uma cultura relativamente homogénea. Muitos Ovimbundu fugiram para as cidades durante a guerra civil angolana (1975-2002). Os que permaneceram na região rural da bacia eram pequenos agricultores que cultivavam principalmente milho e todos os géneros de vegetais utilizando a agricultura de sequeiro (cultivo não irrigado, dependente da chuva). Durante a guerra civil, os agricultores tinham voltado a dedicar-se a uma agricultura de subsistência e começam agora a regressar à produção de “culturas comercializáveis”.

Os Ganguela

Para além dos Ovimbundu, também existem alguns grupos Ganguela na região angolana da bacia do Kunene. Dedicam-se à agricultura e à criação de gado. Ganguela é um termo colectivo que foi utilizado pelos portugueses para classificar uma série de grupos étnicos muito diversos que habitavam principalmente na região este de Angola.

Os Nyaneka-Khumbi

A sul dos Ovimbundu e Ganguela – essencialmente nas zonas centrais da bacia do Kunene – vivem vários grupos de “Nyaneka-Khumbi”, um termo genérico introduzido pelos portugueses para classificar uma série de grupos étnicos mais pequenos. Esta classificação é bastante controversa, tal como a dos “Ganguela”. Os Nyaneka e Khumbi são essencialmente pastores de gado e agricultores. Tal como todos os outros grupos principais, consistem em diferentes subgrupos, incluindo os Ngambwe (também Ovangambwe) que são os principais habitantes da bacia inferior, no Baixo Kunene, juntamente com os Himba e Zemba (consultar Grupos de Língua Herero).

As Populações de Língua Oshiwambo

Um outro grupo de origem Bantu na bacia do Baixo Kunene – tanto do lado namibiano como do lado angolano do rio – é o grupo étnico da língua Oshiwambo, designado por Ovambo ou Owambo. Este grupo ocupa um vasto território no norte da Namíbia e no sudeste de Angola. Na Namíbia os Ovambo são o maior grupo étnico individual. O seu modo de vida assenta essencialmente na agricultura e na criação de gado. Outras actividades económicas incluem, por exemplo, a pesca e o artesanato. Apenas uma pequena parte dos indivíduos de língua Oshiwambo se instalou na bacia do rio Kunene.

Os Grupos de Língua Herero

As regiões (semi-)áridas do Baixo Kunene no noroeste da Namíbia e sudoeste de Angola são habitadas essencialmente por grupos de língua Herero que criam gado bovino, ovelhas e cabras. Alguns dos grupos étnicos de língua Herero também cultivam a terra (Duarte de Carvalho 2002, Bollig 1997). 

Os Himba

Um grupo de língua Herero que habita na bacia inferior, de ambos os lados do rio, são os Himba (que falam o dialecto Dhimba ou Zemba) que se tornaram internacionalmente famosos durante o debate da barragem de Epupa na década de 90 (consultar também Hidropolítica na Bacia). Os Himba são pastores de gado bovino semi-nómadas, que também criam ovelhas e cabras. Os homens jovens deslocam o gado entre postos de gado dispersos. Outros membros da família permanecem em aldeias fixas ou só se deslocam em determinadas alturas do ano. Nas épocas mais secas, quando as circunstâncias não permitem a utilização de pontos de água, algumas famílias migram para o rio Kunene, a fim de obterem água e pastagens (consultar também Pecuária) (ERM 2009, Bollig 1997).

Os Hakavona e os Zemba 

Outros grupos de língua Herero importantes na região do Baixo Kunene do lado angolano são os Hakavona e os Zemba (também designados Ovazemba ou Zimba).

Grupos de Língua Não Bantu 

Existem três grupos principais não Bantu que vivem na bacia do rio Kunene: para além dos que falam Khoisan e dos Thwa, Kwisi e Kwepe, também é possível encontrar europeus e mestiços.

Os Khoi e os San são conhecidos como os habitantes mais antigos na região da África Austral.
Fonte: Garner 2009
( clique para ampliar )

Os Khoisan

Algumas localizações individuais na bacia do Kunene – essencialmente na Província de Huíla – são habitadas por grupos San de língua !Kung. Os San vivem dentro de determinados territórios, sem residência fixa, e ganham o seu sustento essencialmente caçando, colhendo e criando gado. Também cultivam a terra, parcialmente no âmbito de relações de trabalho dependente com os seus vizinhos Bantu. Para obter informações adicionais acerca dos San, por favor clique no vídeo do lado direito.

Os Europeus e a População Mestiça

Dois grupos numericamente pequenos presentes na bacia do Kunene são os europeus e os coloureds (na Namíbia) e mestiços (em Angola).

Após a descolonização, ambos os grupos ficaram bastante reduzidos na bacia do rio Kunene. Na realidade, nem se pode falar de grupos, pois apenas alguns indivíduos vivem ainda na bacia, particularmente no Lubango. Também existem alguns cubanos que ficaram por motivos pessoais após a retirada geral das tropas cubanas de Angola no final da Guerra Fria. Nos últimos anos, alguns namibianos e sul-africanos instalaram-se no Lubango. Também é de referir uma crescente população chinesa.

 

 



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