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Estratégias dos Himba de Enfrentar a Seca  

Os períodos de seca exigem estratégias de sobrevivência especiais.
Fonte: Flickr / Untipographico 2009
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Excertos de uma Entrevista Traduzida com o Ancião Himba, Mbatjanani Kapika

Sr. Bollig: Quando foi a primeira seca de que se lembra?

Mbatjanani: Durante o ano da “Expulsão dos Famintos” muitas das nossas cabeças de gado morreram, até que nos mudámos para o rio Kunene, para um sítio chamado Kehorouua.Ficámos aí até que o nosso gado começou novamente a morrer e as pessoas foram deixadas numa planície aberta vazia.No ano seguinte, a seca chegou e voltámos para aqui, para as nossas antigas terras. Ali, junto aquelas pedras pretas, o gado voltou a procriar até que voltaram a ser muitos.

Sr. Bollig: Quando um determinado ano se tornava num ano de seca o que comiam?

Mbatjanani: Comíamos três coisas:cabras, vacas e ovelhas.Antes de comermos os animais comíamos apenas os frutos das palmeiras. No dia em que as pessoas sentiam os joelhos fracos tiravam uma cabra da cerca para a matarem e comerem. Depois voltavam a comer frutos de palmeira.Quando os frutos de palmeira eram muitos no estômago matavam uma ovelha e quando ela acabava voltavam outra vez a comer frutos de palmeira.Quando os seus joelhos ficavam novamente fracos regressavam à cerca e tiravam uma vaca.Quando acabava voltavam a comer frutos de palmeira. Se sentiam nos seus corações que estava a ser demais entravam novamente na cerca do gado e tiravam outra vez uma ovelha.

Sr. Bollig: No ano de “Os Moribundos” para onde tentaram ir?

Mbatjanani: No ano de “Os Moribundos” algum gado nesta zona morreu perto da montanha de Oheuva. Outras cabeças de gado que foram levadas daqui subiram às montanhas de Omavanda. Algumas manadas de gado e rebanhos atravessaram o Kunene e foram levados para Angola, onde foram vendidas para conseguirmos sacas de milho.

Sr. Bollig: Quando (no passado) havia uma seca, para onde iam?Olhe, existe esta grande montanha de Okuhama. Encontravam ajuda aí?

Mbatjanani: Sim, a montanha ajudava. Quando digo isto, estou a falar das Montanhas Omavanda, onde a erva nunca acaba.

Sr. Bollig: E quando se instalavam aí na montanha, pediam permissão aos Tjimba que aí vivem ou instalavam-se simplesmente aí?

Mbatjanani: Eles não têm gado, não têm cabras.E não se sabe onde têm o seu mel.Então porque nos haviam de impedir?Se formos viver para lá eles só dizem “obrigado”.Assim eles vivem e bebem leite coalhado nos nossos postos de gado.Eles dizem “fiquem aqui” mesmo vivendo eles lá e tendo fome.

Sr. Bollig: Então, se alguns Tjimba permanecem lá, eles têm as suas coisas que recolhem do bosque, como o mel das abelhas e outras coisas. Eles dão-vos estas coisas?

Mbatjanani: Sim, eles dão-nos mel.Depois eles vão para a montanha e recolhem coisas como ozoseu, ozondungwarara, omahu, e trazem-nos. Durante a Primavera crescem cebolas selvagens em alguma quantidade em alguns locais montanhosos.

Sr. Bollig: Quando migraram e foram para a Montanha Okuhama, onde é que as pessoas e o gado conseguiam água?

Mbatjanani: Existe um buraco de água escavado à mão.O gado não esgota aquela água.Mesmo que muitas famílias se instalem ali, a água não acaba.

Sr. Bollig: Onde é esse buraco de água?

Mbatjanani: É na montanha, numa caverna.É um sítio aberto, onde o gado pode beber água facilmente.O gado sobe a montanha vindo de muitos lados.

Sr. Bollig: Ficam aqui e se o ano se tornar num ano de seca decidem ir para o rio e viver por lá?

Mbatjanani: Sim, ficamos lá e mesmo nestes dias migramos para lá e ficamos lá.E se a chuva não vier vamos novamente para o rio.
Fonte: Bollig 1997

 

 

 



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