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Conhecimentos Tradicionais  

Muitas das comunidades indígenas que vivem na África Austral sobrevivem num equilíbrio delicado entre o uso dos recursos naturais e a sua regeneração – convertendo, assim, a própria definição do desenvolvimento sustentável em prática. Esta consciência e capacidade de viver em equilíbrio com a natureza desenvolveu-se ao longo de séculos de tentativa e erro, e forma uma grande parte dos "Conhecimentos Indígenas ou Tradicionais".

Definição

O conhecimento tradicional é um conjunto cumulativo de experiências, práticas, entendimentos e interpretações sobre pessoas, plantas, animais e o meio ambiente - transmitido de geração em geração. Tem sido desenvolvido e mantido por povos com histórias extensas de interacção com o meio ambiente natural, formando um complexo cultural de linguagem, nomenclatura e sistemas de classificação, práticas de utilização dos recursos, espiritualidade e visão do mundo. Esta rica fonte de conhecimento serve como base de informação para a sociedade, facilitando a comunicação e a tomada de decisão (ICSU 2002, Flavier et al. 1995).

A utilização de materiais locais para a construção faz parte dos conhecimentos tradicionais da população da bacia.
Fonte: Tump 2008
( clique para ampliar )

Preservação do Conhecimento Indígena

Os sistemas tradicionais de gestão do conhecimento das culturas indígenas correm o risco de serem corrompidos ou de desaparecerem com o passar do tempo e com as mudanças sociais. Na África, o conhecimento tradicional dos povos indígenas é geralmente transmitido através da prática partilhada e do relato de histórias, de modo que a falta da sua documentação escrita coloca em risco a sua existência.

"Quando um velho experiente morre, desaparece uma biblioteca."
- um provérbio Africano (IDRC 2003).

À medida que a consciência desta potencial perda de conhecimento crucial alastra, estão a ser procurados mecanismos para integrar os conhecimentos tradicionais no planeamento de desenvolvimento e na ciência. A documentação dos conhecimentos é essencial para os conservar e assegurar que continuarão a ser transmitidos às gerações futuras.

Inclusão dos Conhecimentos Tradicionais na Gestão dos Recursos Hídricos

A incorporação do conhecimento tradicional na gestão dos recursos naturais – incluindo a utilização e conservação da água – pode contribuir para o empoderamento local, aumentando a auto-suficiência e a credibilidade dos projectos e políticas (Thrupp 1989, World Bank 2009).

Exemplos de práticas indígenas relevantes para o sector hídrico incluem:

  • Localização, recolha e armazenamento de água;
  • Gestão de recursos hídricos e métodos de irrigação;
  • Estratégias de conservação;
  • Gestão da floresta natural;
  • Pesca; e
  • Práticas agrícolas adaptadas.

Não obstante a lógica para integrar estes sistemas de conhecimento nas práticas de gestão modernas, o conhecimento indígena relacionado com a água ainda é muitas vezes mal interpretado e ignorado em projectos hídricos, políticas e processos de planeamento. Além disso, o acesso e direitos habituais à água são raramente reconhecidos pelas autoridades estatais que controlam agora as áreas indígenas e as fontes de água.

 

Aspectos Sagrados do Conhecimento da Água

Os povos indígenas têm conhecimento tradicional e capacidades relativas à localização da água e protecção da fonte. As fontes de água nas terras indígenas são geralmente consideradas um elemento sagrado, e as mulheres indígenas poderão ser as detentoras do ‘conhecimento da água’. As suas capacidades tradicionais de gestão das terras oferecem geralmente o método mais eficaz para a gestão dos recursos hídricos nas áreas onde elas vivem. Contudo, os povos indígenas estão seriamente afectados pela perda de água não compensada, utilizada na agricultura e na indústria. No pior dos casos, os governos bloqueiam as fontes de água numa tentativa de, à força, deslocar os povos indígenas dos seus territórios tradicionais. Em outros casos, os povos indígenas não são abastecidos de água potável segura ao mesmo nível que os outros cidadãos de um determinado país. Medidas adequadas devem ser tomadas para que a população indígena possa desenvolver as suas capacidades de modo a conseguir auto-desenvolvimento sustentável e equitativo.

Fonte: UN 2006

A caixa de texto que se segue apresenta a Declaração sobre a Água dos Povos Indígenas de Quioto, apresentada no Terceiro Fórum Mundial da Água em Quioto, no Japão, em Março de 2003:

Declaração Indígena sobre a Água

1. Nós, os povos indígenas de todas as partes do mundo aqui reunidos, reafirmamos a nossa relação com a Terra Mãe e a nossa responsabilidade perante as gerações futuras, levantando as nossas vozes em solidariedade a favor da protecção da água. Fomos colocados neste planeta de forma sagrada, cada um nas suas próprias terras e territórios sagrados e tradicionais, para cuidar de toda a criação e proteger a água.

2. Reconhecemos, honramos e respeitamos a água como elemento sagrado que sustenta a vida. Os nossos conhecimentos e modos de vida tradicionais assim como as nossas leis nos ensinam a ser responsáveis pela preservação desta dádiva sagrada que conecta toda a vida.

3. A relação que temos com as nossas terras, territórios e com a água é a base fundamental física, cultural e espiritual para a nossa existência. Esta relação com a nossa Terra Mãe exige a conservação das águas doces e dos oceanos para a sobrevivência das gerações presentes e futuras. Afirmamos o nosso papel de vigilantes, com direitos e responsabilidades para defender e assegurar a protecção, a disponibilidade, e a pureza da água. Estamos unidos para seguir e implementar os nossos conhecimentos e leis tradicionais, e exercer o nosso direito de autodeterminação para preservar a água e preservar a vida.

Declaração sobre a Água dos Povos Indígenas de Quioto, apresentada no Terceiro Fórum Mundial da Água em Quioto, Japão, Março de 2003.

Fonte: Indigenous Water Initiative 2009

Conhecimentos Tradicionais no Baixo Kunene

Os Himba que habitam no Baixo Kunene proporcionam um bom exemplo dos conhecimentos tradicionais na utilização da água e da terra. Deslocam-se tradicionalmente com o seu gado, cobrindo por vezes longas distâncias até onde existem pastagens, e utilizam uma variedade de fontes de água superficial e subterrânea, cada uma para uma finalidade diferente. Asorohawe (nascentes) e os ondjombo (poços escavados manualmente) podem ser utilizados para as pessoas, enquanto os oruua (poços rasos) são utilizados para o gado. Além isso, o gado é frequentemente separado e os bois, vacas e cabras bebem em diferentes fontes de água. A água é utilizada apenas para beber, para matar a sede do gado e para cozinhar, enquanto o consumo de água para banhos é reduzido através de uma protecção dos corpos com uma camada de ocre e gordura de manteiga. Estas formas tradicionais de gerir a água e os recursos terrestres, em que o gado é deslocado ao longo de vastas áreas entre diferentes fontes de água são muito importantes para manter as áreas de pastagem produtivas, evitando a degradação da terra e reduzindo a pressão sobre os pontos de água. Os recursos terrestres e hídricos têm assim a “chance de descansar e recuperar”, não sendo sobreutilizados num único local (DRF 1999).

Presentemente, as pessoas estão cada vez mais a utilizar furos de água para darem de beber ao seu gado e recolherem água potável para si próprias. A vantagem dos furos comparativamente às fontes de água tradicionais é o facto de proporcionarem água de boa qualidade no mesmo local durante todo o ano. Contudo, os furos também apresentam desvantagens em relação aos recursos tradicionais se forem geridos insensatamente: em primeiro lugar, havendo água disponível durante todo o ano, as pessoas concentram-se muitas vezes na fonte de água durante demasiado tempo e esgotam as pastagens, causando o empobrecimento da sua qualidade para o gado. Em segundo lugar, é muito dispendioso para cada comunidade perfurar furos de água e manter os mesmos (DRF 1999). Estes desafios demonstram como é crucial uma integração do conhecimento tradicional nas práticas modernas de gestão dos recursos hídricos.

Para obter informações adicionais sobre os conhecimentos tradicionais da utilização da água e da terra na bacia, visite a secção Cultura e Água.

 

 



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