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A População e o Rio

 



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Angola desde a Colonização Europeia  

No século XV, quando os portugueses chegaram ao sudoeste africano, na sequência da sua viagem marítima em direcção ao extremo oriente, o território que corresponde hoje a Angola tinha um grande número de grupos etnolinguísticos diferentes. Estes grupos variavam em tamanho, nível de desenvolvimento económico e grau de organização política, estando interligados através do comércio (Newitt 2007). No território central angolano habitavam os Ovimbundu, constituindo uma série de diferentes Estados Umbundu. Também existiam diversos pequenos grupos Nyaneka-Khumbi na região e a área que corresponde actualmente ao sul de Angola era dominada pelos Grupos de Língua Herero e reinos Ovambo, fortemente dependentes da acumulação e distribuição da riqueza pecuária.

As Relações Comerciais

A partir do séc. XV, Portugal encetou relações económicas com alguns dos reinos encontrados no território. Os comerciantes portugueses estabeleceram negócios nos portos comerciais atlânticos de Luanda e Benguela, bem como nos vales fluviais vizinhos. A partir daqui realizavam expedições comerciais em direcção ao interior do continente (Newitt 2007). Contudo, as relações nem sempre eram amistosas e, com o passar do tempo, os portugueses atacaram e até conquistaram alguns dos reinos da região, embora normalmente não os ocupassem nem colonizassem, o que só viria a acontecer muito mais tarde. Na segunda metade do séc. XVII, por exemplo, derrotaram os reinos do Congo e Ndongo/Ngola, os dois maiores Estados no norte do país. O poderoso reino do Bailundo nas terras altas do norte da região central angolana foi conquistado duzentos anos mais tarde, no final do séc. XIX.

Pessoas atravessando uma ponte por volta de 1800.
Fonte: Dias de Carvalho / Tump 2010
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O Imperialismo e a Colonização do Interior

Foi apenas na segunda metade do séc. XIX que os europeus começaram a colonizar o interior angolano, incluindo a bacia do rio Kunene. Em 1857 um grupo alemão fundou uma das primeiras colónias europeias no interior, no planalto de Huíla. Mais tarde, em 1881, 300 bôeres chegaram às remotas terras altas de Huíla, e no final da década de 1880 os esquemas de colonização apadrinhados pelo Governo Português trouxeram 1500 colonos da Ilha da Madeira para o planalto (Kuder e Möhlig 1994, Newitt 2007).

A política de colonização “imperialista” por parte do Estado português teve o seu verdadeiro início a seguir à Conferência de Berlim realizada em 1884/85. Esta conferência previu as potências europeias dividirem África entre si, estabelecendo fronteiras coloniais ao longo de todo o continente. No entanto, os limites inferiores da bacia do Kunene ainda não se encontravam sob o controlo da administração portuguesa. Na década de 1890 apenas alguns soldados coloniais tinham sido estacionados no remoto sudoeste, onde os militares portugueses tentaram dominar exércitos indígenas bem armados (Bollig 1997).

O Desenvolvimento da Infra-estrutura

Sob pressão para estabelecer o controlo efectivo das suas colónias, o governo português estipulou o objectivo de melhorar a infra-estrutura da região interior. No início do séc. XX foi iniciada a construção de duas vias-férreas (caminhos-de-ferro de Benguela e Moçamedes/Namibe), ligando a costa às terras altas do interior, onde nasce o rio Kunene. Isto tinha como finalidade permitir a colonização europeia e a exploração económica das terras altas centrais, bem como facilitar o controlo político e militar na metade sul de Angola. A colonização do Alto Kunene prosseguiu paralelamente ao avanço dos trabalhos nas duas vias-férreas (Newitt 2007, Kuder e Möhling 1994).

Após a Segunda Guerra Mundial (1945) foi promovida no território a produção de têxteis, de cimento e de bens de consumo, bem como o cultivo do café, a exploração mineira de diamantes e a produção de petróleo. Consequentemente, na década de 60 Angola já tinha uma das economias mais dinâmicas do continente africano. Os investimentos do Estado aceleraram uma expansão adicional das infra-estruturas, incluindo a bacia do rio Kunene. O primeiro plano de desenvolvimento abrangente para todo o império português (1953-1958) deu ênfase particular ao desenvolvimento de infra-estruturas e fornecimento de energia em Angola, tendo sido construídas diversas grandes centrais hidroeléctricas. A primeira barragem e central hidroeléctrica na bacia do rio Kunene foram construídas na Matala (Newitt 2007, Kuder e Möhlig 1994). Os trabalhos foram concluídos em 1954.

Antigo guarda na estação ferroviária do Huambo.
Fonte: Tump 2007
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Casas destruídas durante a guerra civil.
Fonte: Tump 2006
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A Independência e a Guerra Civil

Os movimentos nacionais pró-independência começaram a ganhar importância em todo o continente africano na década de 50. Em Angola foram fundados o MPLA e a FNLA, seguindo-se mais tarde a UNITA. A Guerra da Independência entre os movimentos nacionalistas e os portugueses teve início em 1961 e prolongou-se até à retirada das tropas portuguesas de Angola em 1975. O vazio de poder que se seguiu deu origem a 27 anos de guerra civil entre os movimentos de independência rivais com as suas diferentes fidelidades étnicas e ideológicas e os interesses antagónicos dos seus patronos dos novos Estados africanos independentes. Além disso, estavam a ser apoiados como combatentes no contexto da Guerra Fria: o MPLA era apoiado essencialmente pela USSR e por Cuba, a UNITA pelos EUA e pela África do Sul e a FNLA pelo Zaire e pelas igrejas protestantes nos EUA (Newitt 2007). A guerra terminou finalmente em 2002, após o líder da UNITA, Jonas Savimbi, ter sido morto por soldados do governo (MPLA). As indústrias e o sistema de ensino tinham sofrido um colapso, e a produção agrícola tinha sido gravemente afectada pelos conflitos armados e pelas minas terrestres, provocando a fome em grande escala por todo o país. O número de mortes em Angola foi de um milhão, com muitos mais desalojados ou mutilados (Ajayi 2006).

Algumas partes da bacia do rio Kunene foram extremamente afectadas, tendo o Huambo sido uma das regiões mais devastadas do país. Além disso, uma grande parte do estado de guerra na bacia esteve associada à Guerra da Independência da Namíbia, entre a SWAPO e a Força de Defesa da África do Sul. No entanto, algumas partes da bacia não foram directamente afectadas por qualquer uma destas guerras. Por exemplo, o Lubango, a capital da Província de Huíla, não sofreu qualquer combate ou destruição directa significativa, embora a cidade tenha tido de enfrentar a chegada de mais de 300 000 refugiados que fugiram aos combates na província vizinha.

Desenvolvimentos Recentes

Em 2008, o MPLA, que tinha proclamado unilateralmente a independência da República Popular de Angola a 11 de Novembro de 1975 e que governara o país desde então foi proclamado o vencedor das primeiras eleições parlamentares realizadas após a guerra civil. As eleições assinalaram o fim do período pós-guerra e legitimaram um parlamento angolano como o órgão representativo do povo angolano. A condução pacífica das eleições foi vista como um sinal positivo (Kleine Büning e Oesterdiekhoff 2008). Outros sinais positivos para um futuro pacífico em Angola podem ser observados em acordos de partilha futura de poder entre os diversos grupos étnicos, desconcentração e descentralização do poder político e económico e numa abordagem nacional com vista a um desenvolvimento sustentável.

 

 



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