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A População e o Rio

 



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A Namíbia desde a Colonização Europeia  

Os europeus encaminharam-se para a região que é actualmente a Namíbia apenas após um período bastante longo de presença na África Austral. Os marinheiros portugueses descobriram a costa da Namíbia no séc. XV, mas só no séc. XIX teve início uma imigração considerável de colonos de língua alemã, ingleses e portugueses.

Nessa altura, os grupos nómadas de pastores de língua Herero já habitavam na bacia inferior do rio Kunene. Contudo, na segunda metade do séc. XIX começaram a fugir aos ataques dos grupos Oorlam e Nama que avançavam do sul. Os grupos de língua Herero deixaram atrás de si uma área quase deserta a sul do Kunene. Os refugiados entraram na esfera de influência portuguesa (hoje Angola), onde encontraram trabalho nas plantações e como caçadores e mercenários do exército colonial português. De acordo com a tradição oral, os refugiados foram apelidados de “Ovahimbe”, significando “pedintes”, pois tinham de mendigar alimento e pasto na sua nova zona de residência. Actualmente pensa-se que o etnónimo Himba só começou a ser utilizado nessa altura (Bollig 2002, Bollig 1997).

Preparação para a Independência da Namíbia: a primeira conferência constitucional foi realizada na Turnhalle.
Fonte: Flickr / Only Point Five 2007
( clique para ampliar )

O Sudoeste Africano Alemão e a Declaração de Kaokoland como Reserva Natural

Na Conferencia de Berlim realizada em 1884-1885, o império alemão proclamou a colónia do Sudoeste Africano no território que é actualmente a Namíbia. A intervenção da administração colonial alemã em Kaokoland (antiga unidade administrativa no noroeste da Namíbia) manteve-se, contudo, limitada a algumas expedições. Em 1907, quando os alemães empreenderam as suas devastadoras guerras contra os insurgentes Herero e Nama, Kaokoland foi declarado uma reserva natural. Entretanto, a ainda praticamente não gerida zona de Kaokoland no lado sul “alemão” do rio Kunene oferecia aos grupos nómadas de pastores novas opções de comércio, caça comercial e economia pastoril. A partir de 1910, muitos grupos de língua Herero regressaram aos seus “antigos” territórios, a sul do rio Kunene (Bollig 2002).

O Isolamento de Kaokoland durante o Mandato Sul-Africano

Durante a Primeira Guerra Mundial, o antigo Sudoeste Africano foi ocupado por tropas sul-africanas inglesas e em 1920 a região foi finalmente decretada sob administração sul-africana pela Liga das Nações. A administração sul-africana estabeleceu fronteiras rigidamente controladas, delimitando Kakoland e proclamando as deslocações e actividades comerciais além fronteiras como ofensa criminal. A fronteira internacional com a colónia portuguesa (Angola) em particular, delineada pelo rio Kunene, passou a ser guardada por patrulhas policiais. O gado bovino e as ovelhas não podiam, em circunstância alguma, atravessar as fronteiras de Kaokoland. A restrição de mobilidade espacial teve um impacte dramático na população local, especialmente em tempos de seca, quando os pastores nómadas migravam em busca de água, forragem e alimento (Bollig 2002).

O Estabelecimento de Fronteiras Étnicas

Para além de controlar as fronteiras, a administração sul-africana dividiu Kaokoland internamente ao longo de linhas étnicas. As regiões do norte de Kaokoland foram subdivididas em três reservas diferentes: uma reserva Himba, uma reserva Herero e uma reserva Tjimba. Foram nomeados chefes sem legitimidade genealógica. Os membros de um grupo de um chefe só tinham autorização para migrar dentro da sua própria reserva. Através da instituição de chefes, a África do Sul esperava assentar os alicerces para um governo indirecto. Estas novas políticas étnicas estabeleceram na região uma hierarquia e estrutura de organização étnica anteriormente não existente. Enquanto em 1920 não existiam fronteiras claramente definidas entre os diferentes grupos sociais em Kaokoland, em 1940 essas fronteiras já tinham sido claramente estabelecidas.

Embora existissem muito poucas diferenças culturais entre a população de Kaokoland, a administração concebeu as novas fronteiras étnicas com base no património e padrões económicos. Foi criado o conceito “Himba” para classificar os pastores de gado mais ricos sem laços familiares directos com as famílias Herero da região central da Namíbia e Angola. Os pastores mais pobres que trabalhavam para os Himba e Herero foram classificados como “Tjimba”. Estas classificações etnológicas não tiveram em consideração os estreitos laços e relações em constante alteração entre a população da região.

Em 1938, foi criado o chamado “Conselho Tribal” de chefes de tribo, destinado a julgar processos e a fazer cumprir os programas do governo. Na década de 60 (sob o regime apartheid da África do Sul) este conselho foi alargado com a nomeação de mais chefes e de conselheiros de apoio aos chefes. A nova elite local permitia à administração sul-africana prosseguir os seus programas mais facilmente (Bollig 1997, Bollig 2002).

A Independência

A SWAPO (the South West Africa People's Organisation), Organização Popular do Sudoeste Africano, fundada em 1960, lutou contra a ocupação da Namíbia pela União Sul-Africana, tendo a independência sido conquistada a 21 de Março de 1990. Desde então, a Namíbia tem sido uma república independente, após mais de 100 anos de administração estrangeira. O país é governado pelo partido no poder, a SWAPO. Hifikepunye Lucas Pohamba é o actual presidente do país.

Em 1992, o sistema administrativo foi reestruturado, introduzindo novas “regiões” definidas como unidades administrativas. A antiga reserva comunal étnica de Kaokoland, juntamente com a antiga Damaraland e partes das áreas de actividade agrícola comercial foram associadas formando a Região do Kunene. A capital da nova região é Opuwo, localizada em Khorixas Constituency, logo a seguir à bacia do Kunene.

 

 



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