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A População e o Rio

 



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Actividades Económicas da Montante a Jusante  

As actividades económicas na bacia do rio Kunene podem ser descritas ao longo do curso do rio, de montante para jusante, do seguinte modo:

Agricultura

O Alto Kunene e a parte norte dos troços médios do rio são caracterizados por um clima subtropical das terras altas, com uma pluviosidade elevada e relativamente regular. Estas condições favorecem a agricultura. São produzidas diferentes culturas sob condições de sequeiro, sendo as mais predominantes o milho, o feijão, o trigo e a batata. A pecuária tem conquistado também relevância. (Monteiro et al., MUA 2006). Mais a jusante, o sul (semi-)árido do Médio Kunene é dominado pela criação de gado e, numa menor extensão, por culturas como o milho, a mandioca, sorgo (massambala), painço (massango) e feijão-frade (feijão macunde). Nos troços inferiores do sudoeste, a agricultura de solo arável está limitada devido à pluviosidade fraca e errática. O pastoralismo de subsistência intensiva é predominante, enquanto a agricultura de solo arável representa um complemento das dietas dos residentes na estação das chuvas (Tapscott 1995/96, ERM 2009).

Agricultura de sequeiro no Alto Kunene.
Fonte: AHT GROUP AG 2009
( clique para ampliar )

Agricultura de Regadio

Embora a agricultura ainda seja principalmente de sequeiro, a irrigação está a ser promovida, particularmente na parte angolana da bacia. O Governo de Angola lançou um programa para as principais bacias fluviais e planícies de inundação do país, que prevê a reabilitação dos sistemas de regadio existentes, visto que a maior parte foi destruída ou negligenciada durante a guerra civil, além da instalação de novos sistemas. Estes sistemas destinam-se a promover a agricultura e a criação de gado entre os agricultores de estrutura familiar, pequenos proprietários e agricultores comerciais. Estimativas recentes sugerem que a área irrigada na bacia do Kunene seja de cerca de 42 000 ha (representando 12,3 % da área irrigada total em Angola), consumindo cerca de 0,4 km³ de água por ano (SWECO Grøner 2005). Estão planeados 780 000 ha adicionais para reabilitação, a completar até 2025. Os planos actuais para a expansão da irrigação utilizando água da bacia do rio Kunene prevêem uma área irrigada total superior a 600 000 ha em 2025, principalmente para o Médio Kunene, onde estão planeados cerca de 595 000 ha. Isto significaria um aumento dramático na demanda de água quando comparada com os caudais médios anuais mais a jusante.

Na parte namibiana da bacia do Kunene, actividades de irrigação ocorrem principalmente no sistema de irrigação de Etunda, próximo de Ruacaná, localizado fora da bacia junto aos seus limites. Além disso, pode encontrar-se alguma irrigação de escala pequena ao longo do canal entre Calueque e Oshikango.

Para obter mais informações sobre irrigação, clique em Infra-estrutura de Irrigação e Culturas de Regadio.

Produção de Energia Hidroeléctrica

A produção de energia hidroeléctrica na bacia é um importante “utilizador de água” com grande importância económica (apesar de os recursos hídricos não serem consumidos na produção de electricidade). As secções De Montante para Jusante e Barragens e Infra-estrutura apresentam as diferentes barragens e as respectivas centrais de energia hidroeléctrica associadas.

Silvicultura

Angola possui recursos florestais quase únicos na África Austral, tanto em termos quantitativos como em termos qualitativos. O Planalto Central de Angola, que compreende também os troços superiores da bacia do Kunene, constitui o principal núcleo do sector florestal angolano, produzindo madeira, por exemplo, de espécies exóticas cultivadas em plantações (tais como o eucalipto e o pinheiro) (MUA 2006).

Exploração Mineira

Até aos anos 70 do séc. XX, o ferro constituía o principal produto exportado de Angola. Um conjunto de minas de ferro estava localizado nas Províncias do Huambo e Huíla, dentro da bacia do rio Kunene. A última mina em exploração situava-se em Cassinga, Huíla, tendo cessado a extracção durante a guerra civil, apesar de existirem planos para a sua reabertura no futuro. Além do ferro, as províncias angolanas da bacia do Kunene são ricas em quartzo, mármore, granito e outros minerais (MUA 2006). Contudo, a exploração mineira foi interrompida pela guerra civil e apenas algumas minas retomaram a operação.

As actividades de exploração mineira na parte namibiana da bacia do Kunene permanecem limitadas devido à falta de conhecimento sobre os principais recursos minerais. Todavia, foi revelado um conjunto de “depósitos” e “vestígios” (titânio, níquel, chumbo-zinco, cobre e zircónio), que podem vir a ser interessantes para operações a pequena escala. No presente, a exploração mineira de granada é praticada a pequena escala em duas minas na área do rio Otjindjangi (Marienfluss) e de sodalita azul numa mina em Swartbooisdrift, nas margens do rio Kunene (Möllers 1999, Tapscott 1995/96, ERM 2009).

Produção Industrial e Comércio

A elevada densidade populacional do Planalto Central angolano na bacia do Alto Kunene criou uma estreita rede comercial baseada na produção industrial de produtos agrícolas e bens de consumo. A cidade do Huambo, localizada nos troços superiores, constitui o centro de produção industrial na bacia. O sector viu a sua importância ser dramaticamente reduzida durante a guerra civil e encontra-se agora numa fase de revitalização. Outras duas zonas industriais estão a ser promovidas nos troços do Alto Kunene:

  • Pólo Industrial de Caála (Província do Huambo); e
  • Pólo Industrial da Matala (Província de Huíla).

No Baixo Kunene e nas zonas inferiores do Médio Kunene, não existe qualquer indústria significativa e o sector comercial é fraco. Nas províncias rurais de Kunene e Namibe, a maioria dos bens comerciais limitados são importados da Namíbia e vendidos caros. A maioria dos agregados familiares depende do sector informal para a aquisição de bens e serviços. Na área do “Kunene Norte” em Namíbia existe um sector comercial de dimensão reduzida, orientado para o comércio retalhista. Opuwo (a pouca distância além dos limites da bacia do Kunene) possui algumas empresas e até instalações bancárias. Contudo, nos assentamentos no interior da bacia existem ainda muitas restrições à expansão do sector comercial (ERM 2009).

Encontro com os Himba.
Fonte: © Ostby 2007, www.pgoimages.com
( clique para ampliar )
Atracção turística - órix ao pôr-do-sol.
Fonte: © Ostby 2007, www.pgoimages.com
( clique para ampliar )

Turismo

Nos anos recentes, ocorreu um interesse súbito no turismo de escala pequena no Baixo Kunene, apesar dos problemas de acesso e de infra-estrutura. A área é favorecida pelo seu "carácter selvagem" e "valor de conservação", apresentando espécies da vida selvagem tanto raras como comuns.

O Kaokoveld namibiano é considerado uma área de conservação de alta prioridade (IUCN) e o rio Ojtindjangi (Marienfluss) tem o potencial de tornar-se local de património mundial. Outras atracções são representadas pela cultura Himba, os locais naturais do vale de Hartmann, as Quedas de Epupa e Ruacaná, a foz do rio Kunene no Parque Nacional da Costa dos Esqueletos, assim como várias áreas de conservação de vida selvagem (para obter informações mais detalhadas, consulte Ecoturismo). Alguns operadores turísticos estão activos na área e começaram a envolver as comunidades locais numa escala pequena.

No lado angolano do Kunene, aproximadamente dois terços dos terrenos adjacentes ao rio estão designados como fazendo parte do Parque Nacional do Iona. Apesar de existir algum potencial turístico, as instalações hoteleiras e de alojamento são fracas, ao mesmo tempo que a ausência de operadores turísticos e as estradas em más condições ainda restrinjam o acesso às atracções turísticas (Möllers 1999, ERM 2009).

 

 



Interactive

Explore as sub-bacias do rio Kunene


Entrevista sobre a gestão integrada e transfronteiriça da bacia do rio Kunene


Veja o cronograma histórico dos países da bacia do rio Kunene, incluindo os acordos e infra-estruturas de água


Cenas de vídeo sobre os San na Província de Kunene e o seu acesso limitado à água