Angola Namibia Sobre Como Usar Glossário Documentos Imagens Mapas Google Earth go
Favor fornecer feedback! Clique para detalhes
Home The River Basin People and the River Governance Resource Management
A Bacia do Rio
 Introdução
Geografia
Clima e Tempo
 Princípios do Clima e Tempo
 O Clima na Bacia
 Mudanças Climáticas
Mudanças Climáticas na Bacia
Hidrologia
Qualidade da Água
Ecologia e Biodiversidade
Sub-bacias
 Referências

 



Feedback

send a comment

Feedback

 

Mudanças Climáticas na Bacia  

A mudança climática terá impactos consideráveis na região da África Austral e na bacia do rio Kunene, principalmente nos seguintes parâmetros:

  • Temperatura;
  • Precipitação; e
  • Evaporação.

Os impactos resultantes são geralmente descritos em termos de:

  • Impactos no abastecimento de água;
  • Impactos no sector hidroeléctrico; e
  • Impactos na agricultura.
As alterações climáticas podem impactar na disponibilidade de águas na bacia.
Fonte: © Ostby 2007 www.pgoimages.com
( clique para ampliar )

Impactos Regionais da Mudança Climática

Como resultado das elevadas concentrações de gases do efeito estufa (GEE), é provável que a temperatura global aumente cerca de 2,0 – 3,5º C se as concentrações de CO2 duplicarem os seus níveis pré-industriais. Temperaturas elevadas levarão a mudanças na precipitação e na circulação atmosférica. Contudo, estas são difíceis de prever com precisão através dos modelos atmosféricos existentes (IPCC 2001).

Há uma evidência crescente de mudanças na temperatura, precipitação e fluxos dos cursos de água em muitas partes da África Austral (Warburton e Shulze 2005; Hewitson et al. 2005). Através do uso das simulações agro-hidrológicas e modelos de mudança climática, Warburton e Shulze (2005a) apuraram que a evaporação potencial aparenta ter aumentado na maior parte do interior da África Austral nas últimas décadas. Estas descobertas apoiam o Painel Internacional sobre a Mudança Climática (IPCC 2008) que constata que a temperatura aumentou entre 0,2°C a 2,0°C entre 1970 e 2004.

Estas mudanças de temperatura têm efeitos profundos directos e indirectos na hidrologia e nos recursos hídricos. Prevê-se que grande parte da África Austral poderá experimentar as precipitações mais variáveis e os maiores caudais de rio no mundo, apresentando grandes desafios para os gestores de recursos hídricos (Schulze 2005). Na verdade, o IPCC identificou a África Austral como uma das regiões mais vulneráveis aos impactos da mudança climática previstos (IPCC 2001).

A mudança climática levanta sérias questões sobre a sustentabilidade das tendências actuais de desenvolvimento na África Austral. Modelos climáticos globais e regionais predizem tendências de aquecimento e secas em grandes áreas, que vão aumentar a pressão sobre o bem-estar humano, particularmente dos mais pobres (MEA 2004). O quadro abaixo apresenta potenciais estratégias para a mitigação do impacto da mudança climática na bacia do rio Kunene.

Estratégias de Mitigação da Mudança Climática

Algumas das questões de principal preocupação, que terão que ser resolvidas em resultado da mudança climática na bacia do rio Kunene incluem:

  • Garantir a qualidade e a quantidade da água sustentável;
  • Garantir segurança alimentar adequada;
  • Manter os recursos de flora e fauna incluindo a reserva ecológica das zonas húmidas;
  • Prevenir e combater a degradação dos solos;
  • Fazer uso eficiente dos recursos energéticos;
  • Garantir um desenvolvimento industrial sustentável; e
  • Combater a pobreza rural.

Mudança Climática e suas Implicações para a Bacia do Rio Kunene

Mudanças na temperatura:Relatórios disponíveis da região particularmente sobre a Namíbia dão conta de um aumento na temperatura média ao longo do século XX, que é três vezes mais que a média global. Foi previsto um aumento na temperatura da região entre 2° C a 6° C para 2100.

Mudanças na precipitação: No que diz respeito ás observações relevantes para a bacia do rio Kunene, podem ser feitas as seguintes declarações:

  • Espera-se que haja uma diminuição dos níveis de precipitação em Angola com a excepção das áreas do norte onde pode haver um aumento (High Level Conference on Water for Agricultre and Energy in Africa 2008).
  • Estudos sobre a Namíbia sugerem uma variabilidade de precipitação muito maior com uma estação chuvosa mais curta e mais intensa (Government of Namibia 2002).

Isto resultará em mudanças no regime dos caudais fluviais. A diminuição da precipitação em Angola particularmente no curso superior do rio Kunene onde mais de 75 % do fluxo é gerado, terá um efeito marcante em toda a bacia do Kunene.

Mudanças na evaporação:O aumento da temperatura será associado ao aumento da taxa de evaporação potencial, resultando em um balanço hídrico mais seco, mesmo que a precipitação não mude (Government of Namibia 2002).Por conseguinte, prevê-se que a humidade do solo diminua e que o sistema de dunas no deserto aumente (High Level Conference on Water for Agricultre and Energy in Africa 2008).

Impactos no abastecimento de água:Com quase metade da população da Namíbia vivendo no norte que é bastante dependente da água potável do rio Kunene (vide Sistemas de Transferência em Massa), a diminuição da disponibilidade da água aumentará a competição pelos recursos hídricos entre vários utilizadores. Na Namíbia, a água potável tem prioridade sobre qualquer outro uso de água retirada do Kunene.

Impactos na produção de energia hidroeléctrica:Na Namíbia, a capacidade instalada de 240 MW da Estação Hidroeléctrica de Ruacaná conseguiu fornecer quase metade da electricidade necessária em 1994. A quantidade de energia gerada varia mediante a força do fluxo da água e por isso depende do clima. Há possibilidades de novos projectos hidroeléctricos no curso inferior do rio Kunene. A magnitude e fiabilidade no fornecimento de energia por tais projectos serão impactados pela mudança climática a um grau ainda não adequadamente quantificável (Government of Namibia 2002).

Impactos nas áreas irrigadas: Os planos para expandir amplamente as áreas irrigadas ao longo do Kunene em Angola juntamente com a expansão moderada de áreas irrigadas na Namíbia (vide Infra-estruturas de Irrigação) estão dependentes da disponibilidade da água para a irrigação. É provável que as atribuições de água para o sector de irrigação sofram alguma pressão no futuro devido à demanda do sector doméstico e de outros sectores com maior retorno económico.

Impactos na agricultura: A produção agrícola na bacia é extremamente sensível às condições climáticas, particularmente nas áreas com baixa precipitação. Secas periódicas causam perdas consideráveis nas manadas de gado e levam à redução na produção de cereais. A incerteza sobre futuras tendências de precipitação dificulta as projecções sobre os impactos na agricultura, mas algumas projecções sob temperaturas elevadas podem ser levadas a cabo com confiança.

  • Agricultura de subsistência:A diminuição da humidade no solo e o aumento da variabilidade inter-anual da precipitação resultarão em maior variabilidade na produção de massango (cultura básica em áreas mais secas) diminuindo deste modo a segurança alimentar.
  • Agricultura comercial:A vulnerabilidade deste subsector na competição pela água já foi mencionada. O milho é a principal cultura comercial. Um estudo prevê um pequeno aumento da produção de milho em futuros cenários de mudança climática, embora a qualidade do rendimento provavelmente será reduzida devido ao encurtamento das estações de crescimento. Contudo, é mais provável uma diminuição no rendimento da cultura do milho, devido ao aumento previsto da temperatura, que já se encontra próxima da temperatura máxima para o milho. Também é provável uma diminuição da precipitação e um aumento na evaporação.
  • Pecuária: É praticada na bacia a criação de gado bovino, ovelhas e cabras. A tendência para o aumento da aridez estaria associada a uma mudança em relação à criação de bovinos menores. As secas estão associadas à uma maior incidência de envenenamento de gado, uma vez que os animais são obrigados a alimentar-se de plantas intragáveis e até tóxicas que são as primeiras a aparecer em zonas de sobrepastoreio. As secas diminuem a disponibilidade de forragem, reduzem a produção de leite, taxas de crescimento e da saúde do gado. Com o aumento da temperatura, a incidência de doenças transmitidas por carrapatos poderá aumentar, contudo, as doenças causadas pela mosca tsé-tsé podem diminuir. A expansão do uso de raças indígenas de gado pode ajudar a mitigar esta tendência. Os impactos sobre a segurança alimentar familiar nas áreas de agricultura de subsistência podem ser dramáticos e a mudança climática tem o potencial para causar rupturas sociais significativas e o deslocamento de pessoas nestas comunidades (Government of Namibia 2002).

 

 



Interactive

Explore as sub-bacias do rio Kunene


Entrevista sobre a gestão integrada e transfronteiriça da bacia do rio Kunene


Explore as interacções entre os organismos no meio aquático


Examine como o ciclo hidrológico faz a água circular